ANTIGA RLAM

Refinaria privatizada na Bahia tem vazamento de gás tóxico; 14 trabalhadores vão para hospital

Federação de petroleiros acusa empresa que comprou refinaria da Petrobras de omitir acidente

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Acelen, criada pelo fundo Mubadala Capital, dos Emiradores Árabes, assumiu controle da Rlam | Crédito: Divulgação

Quatorze trabalhadores da Refinaria de Mataripe, na Bahia, foram hospitalizados após inalarem um gás tóxico que vazou durante o descarregamento de uma carreta. O número de hospitalizados foi divulgado nesta quarta-feira (18) pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), com base em informações do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA).

O gás que vazou é o hipoclorito de sódio. Segundo a FUP, misturado a outro produto químico por meio de contaminação cruzada, ele gerou um gás de alta toxicidade. Foi inalado por 30 pessoas, das quais 14 foram para o hospital.

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A Acelen, empresa que administra a refinaria, não informou o número de trabalhadores afetados pelo acidente e disse que todos passam bem.

A Refinaria de Mataripe foi privatizada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela pertencia à Petrobras e, antes de ser vendida, se chama Refinaria Landulpho Alves (Rlam). Sua administração foi transferida à iniciativa privada em dezembro de 2021.

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O acidente na refinaria ocorreu no último dia 10. A FUP informou que o Sindipetro-BA e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) não foram avisados do evento. A Acelen diz que comunicou os dois órgãos imediatamente após o fato.

"Além dos operadores da refinaria, pessoas que participavam de um curso de treinamento também foram atingidas e ficaram presas na sala, tentando se proteger, porque o gás tóxico se espalhou por todo prédio, incluindo o centro de treinamento, refeitório central e área de embarque e desembarque de ônibus", relatou a FUP.

"A situação foi rapidamente contida pelo time técnico da operação, segurança e meio ambiente da refinaria. As pessoas que sentiram desconforto respiratório após o incidente foram imediatamente assistidas e passam bem", respondeu a Acelen.

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Segundo a FUP e o Sindipetro-BA, trabalhadores têm relatado desvios de segurança que vêm acontecendo na Acelen. "O sindicato tem recebido denúncias de que a refinaria baiana não estaria cumprindo sequer a carga horária obrigatória nos treinamentos dos cursos das Normas Regulamentadoras", declarou o sindicato.

A Acelen diz que "segue fielmente a legislação brasileira respeitando as normas, carga horária e conteúdo programático dos treinamentos realizados na Refinaria de Mataripe, sendo submetida às fiscalizações dos órgãos públicos".

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Privatização contestada

A Acelen é uma empresa do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. O fundo comprou a Rlam por US$ 1,65 bilhão numa operação que foi contestada pois, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), ela valia pelo menos o dobro disso.

A privatização foi parte de um acordo firmado pela Petrobras com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a venda de refinarias.

O atual ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), tem defendido que a antiga Rlam seja reestatizada, algo que também é reivindicado por petroleiros.

Editado por: Thalita Pires

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