LUTA PELA TERRA

Operação da PM despeja 120 famílias do MST de ocupação em Santa Catarina

Movimento afirma que ocupou terras devolutas da União, em área que foi epicentro da Guerra do Contestado

Brasil de Fato | Recife (PE) |
Operação da PM realizada neste sábado (21), em Canoinhas (SC) - Jucelino Deller

Cerca de 120 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Santa Catarina, foram despejadas pela Polícia Militar (PM) de uma ocupação na cidade de Canoinhas, no norte do estado, neste sábado (21).

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Segundo o movimento, a área é terra devoluta e pertence à União. O MST afirma que a PM agiu com truculência e deteve ilegalmente seis integrantes: três deles foram liberados ao fim da operação. Outros três foram levados até a delegacia e enquadrados, segundo a direção do movimento, em crimes com associação criminosa, danos ao patrimônio e invasão.

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"Houve abuso de autoridade. Eles apresentaram um documento de reintegração de posse sem assinatura. Nós vamos preparar um dossiê e processar o governo do estado de Santa Cataria por essa ação", afirmou Lucidio Ravanello, da direção nacional do MST.

As famílias iniciaram a ocupação logo cedo, por volta das 6h da manhã. A polícia iniciou a operação de despejo também pela manhã, mas retornou depois das 12h com forte aparato, com helicópteros, drones e numeroso contingente. As famílias despejadas são oriundas da própria região.

A área ocupada, segundo o MST, foi grilada por fazendeiros da região. Nela esteve o epicentro da Guerra do Contestado, conflito em que o Estado brasileiro expropriou famílias de trabalhadores rurais, no início do século 20.

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"Essa área tem mais terras do que escrituras. São 600 hectares de terras devolutas a mais. As terras são griladas pelos fazendeiros da região e nós vamos agora cobrar do governo federal para acompanhar a situação aqui na região", contou Ravanello.

O Brasil de Fato entrou em contato com a Polícia Militar de Santa Catarina para ouvir a versão da corporação sobre a operação e até agora não obteve resposta. Nas redes sociais, a corporação afirmou que a operação foi para garantir a ordem. Foram destacados contingentes de cinco cidades, além do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Conselho Tutelar e a Prefeitura de Canoinhas.

Na postagem, a PM afirma que a ocorrência foi resolvida "de forma pacífica com a retirada das pessoas, seus pertences e seus veículos, aproximadamente 26 veículos utilizados pelo grupo". Lista também a apreensão de enxadas e facões, que são ferramentas de trabalho dos agricultores.

A polícia também confirma a prisão de três lideranças do movimento que estavam na ocupação, por "invasão de propriedade e dano".

Edição: Nicolau Soares