LULA X CONGRESSO

Congresso poderá derrubar vetos de Lula ao marco temporal na próxima quinta-feira (9)

Ruralistas, que apostam na tese jurídica para avançar sobre terras indígenas, dizem que vetos serão derrubados

No audio source provided.
Indígenas pediam veto integral ao projeto de lei aprovado pelo Congresso | Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

O Congresso Nacional decidirá na próxima quinta-feira (9) se vai derrubar ou manter os vetos do presidente Lula (PT) ao projeto de lei do marco temporal das terras indígenas. De acordo com a tese jurídica ruralista, só podem ser demarcadas terras ocupadas por indígenas na data da promulgação da Constituição Federal, 5 de outubro de 1988. 

Para derrubar os vetos presidenciais, a sessão conjunta do Legislativo terá que ter maioria absoluta, ou seja, pelo menos 257 votos dos deputados e 41 dos senadores.

:: Marco temporal: veto de Lula barrou principais retrocessos, mas pontos sancionados preocupam indígenas e indigenistas ::

A tese ruralista foi aprovada com 283 votos na Câmara e 43 no Senado. O marco temporal é apoiado pelo maior e mais poderoso setor do Legislativo, a bancada ruralista. O líder da bancada, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), declarou que os vetos de Lula ao marco temporal serão derrubados pelo Congresso Nacional.

Para o movimento indígena brasileiro, a questão é literalmente de vida ou morte. Se aprovado, lideranças dizem que vai estimular invasões de terras indígenas. Organizações indígenas e indigenistas manifestaram alívio com o veto parcial de Lula, mas consideram que artigos sancionados pelo presidente representam retrocessos nos direitos indígenas.

:: Extermínio indígena e demarcações paralisadas: entenda as consequências do "marco temporal" ::

Embora tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Tribunal Federal (STF), o Senado levou o marco temporal adiante e aprovou o critério de demarcações. 

Caso o Congresso rejeite os vetos de Lula e institua critério de demarcações, a tese jurídica será judicializada até chegar novamente ao Supremo. 

:: Em julgamento histórico, STF derruba marco temporal das terras indígenas por 9 votos contra 2 ::

Especialistas afirmam que, no caso de uma queda de braço entre Legislativo e Judiciário, deverá prevalecer o entendimento da Justiça, já que o STF é a Corte de controle constitucional. 

Editado por: Thalita Pires

|

Newsletter