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Evento da UFMG debate reparações justas para a população negra do Brasil

De acordo com a OCDE, levará nove gerações para que as pessoas negras alcancem o nível médio de renda de suas sociedades

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG) |
A programação inclui palestras, debates com o público e intervenções culturais. - Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

*o texto foi modificado no dia 8/11, às 18h34, para atualização de informações

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Nos dias 10 e 11 de novembro será realizado, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o "Seminário internacional reparações: o caminho para a democracia no Brasil". O objetivo do evento é discutir a dívida histórica que a sociedade e o Estado brasileiros têm com a população negra.

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Organizado pelo Coletivo Minas Reparações, com apoio do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus-MG), o público-alvo do seminário é composto por diversas entidades dos movimentos negros e religiosos e pela comunidade acadêmica de Belo Horizonte.

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Inscreva-se para o evento aqui.

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Discutir reparações é urgente

A questão racial e o tema das reparações estão na "ordem do dia". É o que pontua a jornalista e ativista social Diva Moreira, integrante do Coletivo Minas Reparações e uma das idealizadoras do evento.

"Por causa da rígida estrutura racial do país, da abolição do trabalho escravizado até nossos dias, aproximadamente oito gerações se passaram, sem ter havido reparação das desigualdades", aponta.

Diva cita dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre desigualdades de renda e de oportunidades, divulgados em 2018. Segundo a instituição, levará nove gerações para que as pessoas negras que nasceram na época do estudo possam alcançar o nível médio de renda de suas sociedades.

O seminário também vai contribuir para a construção do Fundo Nacional das Reparações. Com isso, vai fomentar a produção acumulada pelos movimentos sociais negros no âmbito das políticas públicas, da legislação e dos trabalhos acadêmicos.

Além de definir metas para superar o racismo institucional em áreas como saúde, educação e segurança pública, o evento também tem o objetivo de apresentar metodologias de cálculo da dívida racial no Brasil.

Confira a programação completa:

Sexta (10)

9h – Abertura: ritual de abertura e mesa com representantes do povo do axé, do congado, da capoeira, dos quilombos, Diva Moreira e Francia Marquez 

10h – Mesa 1: histórico do debate sobre reparações (Nilma Lino e Humberto Adami)

12h – Almoço

13h30 – Mesa 2: tributação e reparação (Hélio Santos e Eliane Barbosa)

16h – Mesa 3: acúmulo de debates sobre reparação Brasil-Angola (Tânia Carvalho e Eustáquio Rodrigues)

18h30 – Cortejo

19h - Mesa 4: políticas de Estado de reparações (Francia Marquez, Anielle Franco, Silvio Almeida, Rede de Parlamentares Negras e Negros)

20h – Coquetel

Sábado (11)

9h – Mesa 5: filosofias africanas: tempos e cultura circular? (Tânia Carvalho e Nego Bispo)

11h – Mesa 6: conexão Brasil-África (Samora, Carem Abreu, Sérgio Pererê, Júnia Bertolino, Mestre João)

13h – Almoço

14h – Carta de Belo Horizonte

16h - Encerramento

Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Larissa Costa