Alerta

ONU: gases de efeito estufa no planeta bateram recorde em 2022 e não há sinal de mudança

Pela primeira vez na história, níveis de CO2 ultrapassaram resultados pré-indústriais em 50%

Poluição do ar nas grandes cidades chinesas se agrava no outono. Fenômeno decorrente da atividade humana
Poluição do ar nas grandes cidades chinesas se agrava no outono. Fenômeno decorrente da atividade humana | Crédito: Poluição do ar nas grandes cidades chinesas se agrava no outono. Fenômeno decorrente da atividade humana

Relatório anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM) – agência da Organização das Nações Unidas (ONU) – indica que os gases de efeito estufa atingiram recordes no ano passado e não há sinal de que o cenário será revertido.  

Houve alta nas emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), três dos principais causadores das mudanças climáticas. Em 2022, as emissões de CO2 em todo o planeta chegaram a ser 50% mais altas que os registros pré-industriais pela primeira vez na história. 

O Boletim de Gases de Efeito Estufa indica ainda que o CH4 e o N2O tiveram os maiores aumentos já observados. Segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, os resultados impossibilitam as metas estabelecidas pelos acordos internacionais contra o aquecimento global. 

“Apesar de décadas de avisos da comunidade científica, milhares de páginas de relatórios e dezenas de conferências climáticas, ainda estamos indo na direção errada.  O nível atual de concentrações de gases de efeito estufa nos coloca no caminho de um aumento de temperaturas bem acima das metas do Acordo de Paris até o final deste século.”

As metas do acordo foram definidas em 2015 e definem esforços internacionais para que o aumento da temperatura global seja inferior a 2 graus em relação ao período pré-industrial. 

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Ainda de acordo com Taalas, Mudanças climáticas: o que são e o que esperar para o futuro?, como ondas de calor, tempestades violentas, derretimento de gelo, aumento do nível do mar e acidificação do oceano. “Os custos socioeconômicos e ambientais vão disparar. Devemos reduzir o consumo de combustíveis fósseis com urgência", alertou ele. 

O CO2, responsável por cerca de 60% do efeito estufa, é gerado pela queima de carvão mineral, petróleo e gases naturais. Isso inclui atividades de produção de energia para transportes, construções e eletricidade, assim como da agropecuária e das indústrias. As mudanças no uso do solo e o despejo de resíduos nas águas também contribuem. 

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Metade dessas emissões se acumulam na atmosfera terrestre e aumentam a temperatura global. Ele tem vida útil longa e permanece no ar por décadas. O resultado atual, portanto, continuará prejudicando o planeta no futuro, com o agravante de que se somará às novas emissões. Cerca de um quarto do CO2 é absorvido pelo oceano e menos de 30% pelos ecossistemas que ainda estão de pé. 

A queima de combustíveis fósseis também está entre as principais causadoras das emissões de metano. No caso do óxido nitroso, a agricultura intensiva é a grande vilã. Todos esses gases têm efeitos na camada de Ozônio que mudam consideravelmente as condições meteorológicas do planeta. 

Segundo a OMM, a última vez que a Terra passou por uma concentração comparável de CO2 na atmosfera ocorreu entre 3 milhões e 5 milhões de anos atrás. Pesquisas indicam que, na ocasião, o planeta era cerca de 2 graus mais quente que agora e o nível do mar era até 20 metros mais alto. 

Assista a divulgação na íntegra abaixo:

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