Oriente Médio

Hamas diz que acordo de trégua está próximo; Catar afirma que negociações estão em 'fase crítica e final'

O líder do Hamas fez uma ressalva de que houve “atrasos” no processo, que ele atribui a Israel e seu primeiro-ministro

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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População procura por sobreviventes e corpos de vítimas nos escombros de um bombardeio israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza - Mohammed Abed / AFP

Em pronunciamento nesta terça-feira (21), o Hamas afirmou que seus negociadores estão mais perto de um acordo de trégua que poderia incluir a libertação de uma série de mulheres e crianças mantidos como reféns, em troca de prisioneiros detidos por Israel.

Izzat al-Rishq, membro do gabinete político do grupo, disse na manhã desta terça que um “acordo de trégua” poderia ser anunciado “nas próximas horas” pelo Catar, país mediador nas negociações uma vez que Israel e os Estados Unidos não dialogam diretamente com o Hamas. 

O líder do Hamas fez uma ressalva de que houve “atrasos” no processo, que ele atribui a Israel e seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, disse a jornalistas nesta terça que as negociações avançaram“além das questões centrais” e estavam “no ponto mais próximo” desde o início da crise. Al Ansari disse  acreditar que um acordo “acontecerá em breve”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira que  houve progressos para a libertação dos reféns que o Hamas detém em Gaza desde os ataques de 7 de outubro. "Espero que haja boas notícias em breve", disse Netanyahu aos soldados israelenses numa base militar no norte do país, depois dos mediadores do conflito terem anunciado a possibilidade de um acordo.

Autoridades israelenses acenaram com a possibilidade de uma pausa de vários dias nos combates para retirar os reféns, mas enfatizaram que um cessar-fogo é uma questão diferente. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse acreditar que um acordo para libertar reféns estava próximo. 

Contexto

O cerne da questão árabe-israelense é a forma como o Estado de Israel foi criado, em 1948, com inúmeros pontos não resolvidos, como a esperada criação de um Estado árabe na região da Palestina, o confisco de terras e a expulsão de palestinos que se tornaram refugiados nos países vizinhos. 

A decisão pela criação dos dois estados foi tomada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e aconteceu sem a concordância de diversos países árabes, gerando ainda mais conflitos na região. 

Ao longo das décadas seguintes, a ocupação israelense nos territórios palestinos – apoiada pelos EUA –  foi se tornando mais dura, o que estimulou a criação de movimentos de resistência. Foram inúmeras tentativas frustradas de acordos de paz e, na década de 1990, se chegou ao Tratado de Oslo, no qual Israel e a Organização para Libertação da Palestina se  reconheciam e previam o fim da ocupação militar israelense. 

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O acordo encontrou oposição de setores em Israel – que chegaram a matar o então premiê do país – e de grupos palestinos, como o Hamas, que iniciou sua campanha com homens-bomba. Após a saída militar israelense das terras ocupadas em Gaza, ocorreu a primeira eleição palestina, vencida pelo Hamas (2006), mas não reconhecida internacionalmente. No ano seguinte, o Hamas expulsou os moderados do grupo Fatah de Gaza e dominou a região. 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou sua maior operação até então, invadindo o território israelense e causando o maior número de mortes da história do país, 1,4 mil, além de fazer cerca de 200 reféns. A resposta israelense vem sendo brutal, com bombardeios constantes que já causaram a morte de milhares de palestinos, além de cortar o fornecimento de água e luz, medidas consideradas desproporcionais, criticadas e rotuladas de "massacre" e "genocídio" por vários organismos internacionais.

Edição: Leandro Melito