Solidariedade

Solidariedade: organizações populares da Argentina enviam 9 toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza

O envio realizado pelo Estado argentino foi planejado a partir das prioridades comunicadas pelas agências humanitárias

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Campanha "Dos excluídos na Argentina aos excluídos na Palestina" enviou 6 toneladas de ajuda humanitária a Gaza - Divulgação

Organizações populares da Argentina enviaram nove toneladas de alimentos e insumos médios para a Faixa de Gaza esta semana. Dois aviões com as doações de solidariedade à população palestina deixaram o solo argentino na quinta-feira (23).

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Com o tema, “Dos excluídos na Argentina aos excluídos na Palestina", a campanha organizada por de organizações de economía popular, cooperativa e social enviou seis toneladas de ajuda humanitária à população palestina entre alimentos, insumos médicos e fraldas por meio da segunda missão da Agência Argentina de Cooperação Internacional e Assistência Humanitaria – Cascos Blancos (ACIAH). 

"Diante de tanta injustiça e sofrimento de quem vê morrer seus filhos e filhas, nós, os excluídos da Argentina, queremos entregar o pouco que podemos: o fruto do nosso trabalho e também exigimos a libertação imediata do reféns em Gaza. A humanidade tem que ser o nosso farol”, diz o comunicado das organizações.

Outra frente de ajuda humanitária de organizações populares da Argentina, a Frente La Patriada reuniu outras três toneladas de insumios médicos e alimentos não perecíveis. "São momentos em que é preciso reforçar a solidariedade ativa com os povos do mundo", diz o comunicado da Frente La Patriada.

O envio realizado pelo Estado argentino foi planejado a partir das prioridades comunicadas pelo Crescente Vermelho egípcio e pela Cruz Vermelha argentina.

Contexto

O cerne da questão árabe-israelense é a forma como o Estado de Israel foi criado, em 1948, com inúmeros pontos não resolvidos, como a esperada criação de um Estado árabe na região da Palestina, o confisco de terras e a expulsão de palestinos que se tornaram refugiados nos países vizinhos. 

A decisão pela criação dos dois estados foi tomada no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e aconteceu sem a concordância de diversos países árabes, gerando ainda mais conflitos na região. 

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Ao longo das décadas seguintes, a ocupação israelense nos territórios palestinos – apoiada pelos EUA –  foi se tornando mais dura, o que estimulou a criação de movimentos de resistência. Foram inúmeras tentativas frustradas de acordos de paz e, na década de 1990, se chegou ao Tratado de Oslo, no qual Israel e a Organização para Libertação da Palestina se  reconheciam e previam o fim da ocupação militar israelense.

O acordo encontrou oposição de setores em Israel – que chegaram a matar o então premiê do país – e de grupos palestinos, como o Hamas, que iniciou sua campanha com homens-bomba. Após a saída militar israelense das terras ocupadas em Gaza, ocorreu a primeira eleição palestina, vencida pelo Hamas (2006), mas não reconhecida internacionalmente. No ano seguinte, o Hamas expulsou os moderados do grupo Fatah de Gaza e dominou a região. 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou sua maior operação até então, invadindo o território israelense e causando o maior número de mortes da história do país, 1,4 mil, além de fazer cerca de 200 reféns. A resposta israelense vem sendo brutal, com bombardeios constantes que já causaram a morte de milhares de palestinos, além de cortar o fornecimento de água e luz, medidas consideradas desproporcionais, criticadas e rotuladas de "massacre" e "genocídio" por vários organismos internacionais.

Edição: Leandro Melito