RELAÇÃO COMPLEXA

Lula enviará chanceler Mauro Vieira à posse de Javier Milei em Buenos Aires no domingo

Em 2019, Jair Bolsonaro já havia enviado o vice Mourão à posse de Alberto Fernández

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Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, será enviado para a posse do presidente recém-eleito da Argentina, Javier Milei - Reprodução/MRE

Como antecipado pelas fontes do Planalto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não vai comparecer à posse de seu homólogo argentino recém-eleito, Javier Milei e enviará o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Foi Diana Mondino, a futura chanceler da Argentina, quem oficializou o convite ao governo brasileiro para a cerimônia deste domingo (10/12).

A aliada de Milei chegou a fazer uma visita-relâmpago ao Palácio do Planalto no último dia 26. Em sua breve estadia, a futura ministra se reuniu com Vieira e os embaixadores do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, e da Argentina em Brasília, Daniel Scioli.

Na diplomacia sul-americana, os presidentes brasileiros e argentinos tradicionalmente atendem às posses uns dos outros. No entanto, no passado houve exceções. É o caso de Jair Bolsonaro, que ficou ausente em 2019 na posse de Alberto Fernández. Na época, o ex-presidente enviou seu vice, Hamilton Mourão, para representá-lo. Por outro lado, a ex-presidente Dilma Rousseff deixou as divergências ideológicas de lado e participou da cerimônia de eleição de Mauricio Macri.

O cenário político, contudo, com relação ao Lula e ao Milei se contorna de uma forma mais complexa. O petista, diferentemente de seus antecessores, foi alvo de duras críticas e declarações do argentino recém-eleito. Este que chegou a chamá-lo de "corrupto", acusá-lo de interferir nas eleições argentinas para beneficiar seu então candidato rival, Sergio Massa, e ameaçou cortar integralmente as relações diplomáticas com o Brasil. 

Vale lembrar também que Milei, um dia após sua vitória frente ao candidato governista Sergio Massa, convidou abertamente à posse Bolsonaro, de quem compartilha dos valores da extrema-direita.

No entanto, dias depois, diferentemente de como se mostrou durante a campanha, o argentino decidiu baixar o tom e optou pela tentativa de estabelecer um diálogo tanto com o governo brasileiro como o chinês.