DANO IRREPARÁVEL

'Nossa vida está um lixo': famílias criticam acordo firmado pela Braskem em Maceió

Prefeitura busca agora refazer a negociação com a petroquímica, após ampliação da área de risco

Brasil de Fato | Recife(PE) |
Moradores combram responsabilização total da Braskem - Mykesio Max/Comunicação MST

O Brasil de Fato esteve em Maceió no início de dezembro para acompanhar a mobilização da sociedade alagoana contra a Braskem, empresa responsável pela exploração de sal-gema. A atividade tem provocado o afundamento do solo em pelo menos cinco bairros da capital do estado. 

::Famílias de bairros vizinhos à mina da Braskem imploram por realocação: 'não estamos vivendo, estamos vegetando'::

Nas entrevistas, o sentimento entre os moradores atingidos é de frustração e decepção. A grande maioria não está satisfeita com o formato do acordo firmado entre a Braskem e a prefeitura. Eles classificam as propostas da empresa como irrisórias. 

"Ela oferece um auxílio aluguel de mil reais. Com esse valor, você não consegue adquirir, alugar nenhum imóvel compatível. Então você tem que complementar. Na verdade, é uma armadilha que ela lança", afirmou o morador Cássio Araújo. 

Os atingidos estão revoltados porque, com base nesse acordo, a Braskem passa a ser dona dos imóveis que estão nas áreas de risco. 

No início de dezembro, o poder municipal enviou à Braskem um pedido de renegociação, por causa da ampliação da área de risco na cidade.

O pedido aconteceu cinco meses depois de a cidade fechar o acordo de R$ 1,7 bilhão de indenização. 



"A Braskem destrói a vida das pessoas, destrói a casa das pessoas e fica com esse patrimônio para ela.", afirma Maurício Sarmento, morador de Flexais. 

Enquanto isso, a sociedade civil organizada e os movimentos populares estão se articulando para denunciar a gravidade desse caso e cobrar por justiça.

Um abaixo-assinado, organizado na plataforma change.org. já reúne 10 mil assinaturas e cobra medidas efetivas do governo federal para punir a Braskem e indenizar os moradores atingidos. 

"A nossa vida mudou totalmente. De três anos para cá, a nossa vida está um lixo", diz Antônio Domingos, um dos atingidos, mencionando os efeitos emocionais do afundamento do solo na capital alagoana. 

Os riscos permanecem. No último domingo(10), a mina de número 18 da Braskem rompeu. Ninguém ficou ferido e área permanece sendo monitorada. Mesmo assim, há risco de colapso de outras minas, como alerta o professor Dilson Ferreira, da Universidade Federal de Alagoas

Os alertas não são de hoje. A professora da Universidade Federal de Alagoas, Regine Dulce, relembrou das primeiras manifestações, ainda na década de 1980, que denunciam os perigos da exploração de sal-gema numa área urbana, como é o caso dos bairros de Maceió que, desde 2018, registrando episódios de afundamento do solo. 

Edição: Rebeca Cavalcante