Golpismo

Carlos Jordy: quem é o deputado bolsonarista alvo de operação da PF contra golpistas do 8 de janeiro?

O parlamentar chegou a pedir o impachment de Lula ao acusá-lo de crime de responsabilidade pelos atos golpistas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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O deputado federal Carlos Jordy ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook/Carlos Jordy

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) foi alvo de buscas da 24ª fase da Operação Lesa Pátria, deflagrada nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal (PF). Ele é investigado por supostamente incitar os atos golpistas do 8 de janeiro do ano passado, que culminaram na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes, em Brasília (DF).  

Líder da oposição na Câmara dos Deputados, o bolsonarista protocolou, em março de 2023, um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de crime de responsabilidade.

“Se um representante do governo federal não consegue proteger – mesmo tendo sido previamente avisado, dias antes do ocorrido, através de seus órgãos de inteligência – uma região geográfica reduzida como a Praça dos Três Poderes, se não consegue proteger a sua sede, um único imóvel, que condições tem de gerir e proteger um país de dimensões continentais como o Brasil?”, questionou Jordy no documento.  

Bolsonarista ferrenho, Jordy está em seu segundo mandato consecutivo como deputado federal. Ele foi eleito primeiramente em 2018, na onda bolsonarista que conquistou mandatos no Congresso Nacional. Na eleição seguinte, ele foi reeleito com cerca de 114 mil votos do Rio de Janeiro. Antes, foi vereador de Niterói, onde nasceu. Hoje, Jordy também é pré-candidato à prefeitura do município fluminense.  

Em suas redes sociais, Jordy defende pautas da extrema direita e faz ataques ao governo Lula. Por seus posicionamentos, ele chegou a ser condenado em 2022 por associar o influenciador Felipe Neto ao massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, no município de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, em 2019. 

“Quando digo que pais não devem deixar os filhos assistirem aos vídeos do Felipe Neto, não é brincadeira. Em 2016, ele fez vídeo ensinando a entrarem em sites da deepweb. Agora descobriram que os assassinos de Suzano pegaram as informações para o massacre num dos sites após assistirem ao vídeo”, publicou Jordy em abril de 2019, no Twitter. 

Recentemente, Jordy fez uma fala transfóbica ao dizer que “o Estado garantir para alguém o direito de modificar sua certidão de nascimento para alterar o sexo colocando uma ‘construção social’, algo que só está na mente da pessoa, é um absurdo completo que abre precedentes sociais terríveis”. 

Operação Lesa Pátria 

No total, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete de Jordy na Câmara dos Deputados e em sua residência. Nas redes sociais, o parlamentar classificou a operação como “autoritária”. “Sem fundamento, sem indício algum, que somente visa perseguir, intimidar e criar narrativa às vésperas de eleição municipal”, escreveu. 

“Fui acordado hoje às 6h, estava dormindo com a minha filha e a minha esposa. E fui acordado com fuzil no rosto pela Polícia Federal”, afirmou Jordy. “É inacreditável o que nós estamos vivendo. Esse mandado de busca e apreensão que foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, isso aí é a verdadeira constatação de que estamos vivendo em uma ditadura.” 

Os crimes que envolvem o cumprimento dos mandados de busca e apreensão são abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime. 

Ao todo são cumpridos dez mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime”, explicou a PF em nota. 

Repercussão

Nas redes sociais, apoiadores do presidente Lula comemoraram a operação. A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que "quem ataca as liberdades democráticas tem que ser investigado, responsabilizado e punido. Niterói e o Brasil não têm espaço para quem odeia a democracia", em seu perfil no X, antigo Twitter. 

Edição: Vivian Virissimo