Proteção

Quem precisa tomar a vacina contra a covid-19 este ano?

Não sabe se você deve procurar o postinho? Listamos todos os grupos que precisam ficar de olho na vacinação em 2024

Ouça o áudio:

Vacina contra o coronavírus foi incorporada ao calendário anual do Programa Nacional de Imunização do SUS - Paulo Pinto/Agência Brasil
É muito importante ressaltar que a covid-19 ainda é a doença respiratório que mais mata no Brasil

Com a inclusão da vacina contra a covid-19 no calendário anual de vacinação, o Brasil começa uma nova fase de combate e prevenção à doença que ainda é a principal causa respiratória de óbitos em território nacional. Agora, a imunização faz parte de rotina anual de alguns grupos prioritários. A campanha de vacinação também busca atingir pessoas que, até hoje, não estão com o esquema vacinal básico completo. 

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Em conversa com o Repórter SUS, a Secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, explicou os detalhes a importância do processo para este ano.

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"É muito importante ressaltar que a covid-19 ainda é a doença respiratória que mais mata no Brasil. Nós temos muitas pessoas que são internadas com quadros graves e que vão a óbito. Apesar de ter sido finalizada a emergência de saúde pública de importância internacional e nacional, é uma doença que continua entre nós. Esse vírus provoca casos graves e óbitos, principalmente em pessoas que não têm esquema completo e que têm doenças de base. Por isso essa vacinação adicional é tão importante, para que a gente continue protegendo a saúde da nossa população."

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Os postos de vacinação já estão aptos a aplicar o reforço para determinados públicos, como parte do chamado para quem é prioridade. De acordo com as definições da pasta, a parcela da população que mais corre riscos de agravamento e óbito por causa do coronavírus receberá reforço vacinal a cada seis meses.

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Na lista de quem deve procurar as doses adicionais este ano, estão pessoas idosas, imunocomprometidas, portadoras de comorbidades ou com deficiência permanente. A imunização também tem foco em gestantes e puérperas. Levando em consideração a exposição ao vírus, o governo incluiu no esquema trabalhadores e trabalhadoras da saúde, do sistema prisional e de instituições de longa permanência.

O mesmo vale para pessoas que vivem nesses locais e aquelas privadas de liberdade, assim como jovens que cumprem medidas socioeducativas. A campanha também dará especial atenção a moradores e moradoras de rua, devido ao risco sanitário mais agravado para essas populações. Por fim, comunidades tradicionais indígenas, ribeirinhas e quilombolas também terão reforço na proteção.

E quem não está nos grupos prioritários?

A campanha de vacinação contra a covid-19 também tem o objetivo de atingir as pessoas que não têm o esquema vacinal completo. Segundo o Vacinômetro do Ministério da Saúde, até esta semana, mais de 180 milhões de pessoas tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19 no Brasil, o que equivale a 90% de cobertura.

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No entanto, esse resultado cai para as doses posteriores. A segunda fase da proteção tem índice de 85% de alcance. Já a dose de reforço chegou a menos de 60% da população. Segundo Ethel Maciel, a proteção está garantida para quem tem as doses básicas.

"Nós entendemos como o ciclo vacinal completo as duas doses iniciais das vacinas, quaisquer que sejam elas, mais uma dose adicional. Então as pessoas que têm pelo menos três doses da vacina estão protegidas até esse momento. Até este momento, nós não temos evidências de que, para pessoas que não tenham doenças que impactem a imunidade, haja necessidade de uma vacina adicional."

Crianças 

A vacina contra a covid-19 passa a fazer parte ainda do calendário anual das crianças de 6 meses a 5 anos de idade. Ethel Maciel explica que, a partir de agora, ela passa a ser parte obrigatória da caderneta.

"Quando a vacina passa a fazer parte do calendário da criança, temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante que a criança precisa ser protegida. Infelizmente, no Brasil, tivemos muitos óbitos de crianças, e crianças que chegaram a quadros inflamatórios muito graves. Isso também causa sequelas para a vida dessas crianças."

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Segundo Nota Técnica divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a cobertura vacinal na faixa etária de 1 a 4 anos de idade não chega nem a 25% do total no Brasil. O estudo do Projeto VigiVac da Fiocruz, que avalia a efetividade dos imunizantes, reforçou a efetividade da vacina nesse público, que chega a cerca de 90% contra infecções e hospitalizações.

Além disso, a proteção se estende para o desenvolvimento da covid longa, quando pacientes continuam com sintomas da fase grave da doença mesmo depois da cura. Segundo o documento, a vacinação reduz em 41% o risco de crianças e adolescentes desenvolverem essa condição. Se o imunizante foi aplicado há menos de seis meses, o índice sobe para 61%.

O Repórter SUS é uma parceria entre o Brasil de Fato e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz)

Edição: Nicolau Soares