Racismo religioso

Praça dos Orixás, no DF, é depredada às vésperas do Dia de Iemanjá

Estátua que representa o orixá Ibeji foi queimada; organização repudia crime

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Audiência pública para debater situação do local acontece nesta sexta-feira (2) - Foto: Divulgação do Instituto Rosa dos Ventos

A Praça do Orixás, patrimônio cultural do Distrito Federal foi mais uma vez alvo de depredação. Desta vez, o ataque incendiou o monumento dedicado ao orixá Ibeji. O atentado ocorreu às vésperas do Festa das Águas, celebração cultural e religiosa que comemora em 2 de fevereiro, o Dia de Iemanjá.

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A organização do Festival acredita que o atentado tenha acontecido entre os dias 30 ou 31 de janeiro. "Notaram durante a montagem do festival", informou a assessoria. Por enquanto não se tem informações sobre a autoria do crime.

A programação da Festa das Águas inicia nesta sexta-feira (2) e inclui uma audiência pública, marcada para às 15h, com a presença de lideranças religiosas de matriz africana, membros da comunidade, representantes governamentais e da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

De acordo com a assessoria do Instituto Rosa dos Ventos, organizador da Festa, “agora mais do que nunca essa audiência se faz fundamental”.

Em nota o Instituto declarou "sua mais profunda indignação diante do ataque recente à Praça dos Orixás, um local sagrado de inestimável valor cultural para a comunidade de matriz africana do Distrito Federal. A poucos dias de uma das celebrações mais tradicionais do país, o Dia de Iemanjá, a estátua que representa o orixá Ibeji foi queimada, um ato de intolerância religiosa que fere não apenas um símbolo sagrado, mas também um Patrimônio Cultural Imaterial da capital federal de nosso país”.

Racismo religioso

Ao longo dos anos, a Praça dos Orixás tem sido vítima de depredação, vandalismo e racismo religioso. Em agosto de 2021, uma estátua de Ogum foi derrubada e incendiada no local. Vários outros exemplos desse tipo de ação criminosa já haviam ocorrido no local desde a oficialização da “Prainha” como Praça dos Orixás em 2000. O acervo da praça conta com monumentos de 16 orixás erguidos no local ainda na década de 90 e inclui obras de autoria do artista plástico baiano Tatti Moreno.

O Instituto reitera que “a Praça dos Orixás é um espaço sagrado que deve ser protegido e respeitado por todos. Seguindo a corrente de reivindicações, o Instituto Rosa dos Ventos, novamente, manifesta seu repúdio e reafirma o compromisso com a preservação de nossa herança cultural e sagrada e nossa determinação em promover um ambiente de paz, harmonia e respeito mútuo”.

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Fonte: BdF Distrito Federal

Edição: Flávia Quirino