carnaval 2024

Desfiles do Grupo Especial de São Paulo acontecem nesta sexta e sábado; confira os enredos

Sambódromo do Anhembi vai receber 14 escolas em busca do título maior do carnaval paulistano

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Grupo Especial de São Paulo terá desfiles na sexta-feira e sábado (9 e 10 de fevereiro) - Divulgação / Liga SP

A pista do Sambódromo do Anhembi recebe, nesta sexta-feira e sábado (9 e 10 de fevereiro), as 14 escolas que brigam pelo principal troféu do carnaval paulistano. O Grupo Especial terá dois dias de desfiles, que prometem uma disputa acirrada. Confira agora os enredos de cada uma das escolas, apresentadas aqui na ordem em que desfilam.

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Escolas de sexta-feira (9 de fevereiro)

Camisa Verde e Branco

De volta ao Grupo Especial após o vice-campeonato no Grupo de Acesso em 2023, a Camisa Verde e Branco abre a primeira noite de desfiles no Anhembi. O enredo Adenla - O Imperador nas Terras do Rei tem como figura central o ex-jogador de futebol Adriano, que ficou conhecido como "Imperador", e vai falar também sobre o orixá Oxossi, Rei de Ketu.

Quarta maior vencedora do carnaval paulistano, com 9 troféus, a Camisa não leva o título do Grupo Especial desde 1993, e quer retomar os tempos de glória destacando o poder de "acreditar em si mesmo" – e é aí que Oxossi e Adriano se aproximam, no entendimento da escola. 

Barroca Zona Sul

Sonhando com o primeiro título no Grupo Especial, a Barroca levará para a avenida uma homenagem à própria escola, que em 2024 completa cinquenta anos de fundação. O título do enredo cita o imponente apelido da escola: Faculdade do Samba.

O carnavalesco Pedro Magoo, que faz sua estreia na escola, disse que conversou muito com a velha guarda para compor o desfile, e, após ouvir as histórias, escolheu Sebastião Eduardo do Amaral, que ficou conhecido como "Pé Rachado", para ser o fio condutor do enredo. Fundador da escola, Pé Rachado morreu em 1990, mas ainda hoje é lembrado no barracão.

Dragões da Real

A Dragões é a primeira de quatro escolas ligadas a torcidas organizadas de clubes de futebol a pisar o Anhembi neste ano. A escola, fundada por torcedores do São Paulo, vai levar para a avenida o enredo África, Uma Constelação de Reis e Rainhas.

A escola afirma que "a fim de proporcionar um resgate de identidade histórica, vai buscar no continente africano, berço da humanidade, as mais fascinantes narrativas sobre Reis e Rainhas que marcaram o mundo como grandes exemplos de luta e coragem, tornando-se estrelas inspiradoras".

Independente Tricolor

Também ligada a uma torcida organizada do São Paulo, a Independente Tricolor é mais uma agremiação a apresentar um enredo ligado à África. Com Agojie, A Lâmina da liberdade!, a escola vai falar sobre guerreiras do reino de Daomé (atual Benim), que lutaram entre os séculos 17 e 19, e são apresentadas como "o único exército feminino que já existiu".

"As Agojie, como eram chamadas, foram exemplo de força e resistência, e também deixaram seu legado, sendo fundamental na construção da identidade de tantas outras mulheres pretas que hoje se identificam e se empoderam, lutando contra toda e qualquer dominação, externando seu ímpeto e empunhando sempre a lâmina da liberdade!", destaca a Independente.

Acadêmicos do Tatuapé

Dona de dois troféus do carnaval paulistano, em 2017 e 2018, a Acadêmicos do Tatuapé promete uma viagem à Bahia, com o enredo Mata de São João – uma joia da Bahia símbolo de preservação! Entre cantos e tambores. Viva a mata de São João!

Pequena cidade baiana, com menos de 50 mil habitantes, Mata de São João vai ser apresentada a partir da tradição do artesanato regional feito de barro. A escola pretende levar muitas cores para destacar a diversidade cultural da cidade litorânea, com festas para Iemanjá, São João Batista, Nossa Senhora dos Navegantes e Senhor do Bonfim.

Mancha Verde

Fundada por torcedores organizados do Palmeiras, a Mancha Verde é uma das principais forças do carnaval paulistanos nos desfiles recentes, com dois títulos e dois vice-campeonatos nos últimos quatro anos. Em busca de mais um troféu, a escola leva para a avenida o enredo Do Nosso Solo para o Mundo, sobre a história da agricultura no Brasil.

"A ideia é retratar o amor do homem do campo pela terra que o sustenta, a agricultura familiar, a fé e o respeito pela Mãe Natureza e, também, destacar os exemplos e caminhos a serem seguidos na esperança de um futuro sustentável, longe da escassez dos recursos naturais, da extinção, da fome e da miséria", promete a escola.

Rosas de Ouro

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo será fechada pela Rosas de Ouro. Sete vezes campeã do carnaval paulistano, a escola busca retomar um título que não vem desde 2010. Para isso, vai levar para o Anhembi um dos grandes cartões postais de São Paulo: o Parque Ibirapuera, que em 2024 completa 70 anos.

A escola deve entrar na avenida já com o dia amanhecendo, e quer usar isso a seu favor, fazendo uma referência às pessoas que ocupam o parque em atividades esportivas matinais. O enredo Ibira 70 - A Rosas de Ouro é São Paulo no Carnaval 2024, de caráter histórico, quer mostrar as muitas faces do parque, reconhecido como um espaço para a natureza, a cultura e como um espaço para encontros.

Escolas de sábado (10 de fevereiro)

Vai-Vai

Líder em conquistas no carnaval de São Paulo, com nada menos que 15 títulos, a Vai-Vai está de volta ao Grupo Especial em busca de recuperar os velhos tempos, após duas passagem pelo Grupo de Acesso nos últimos três anos. A escola abre o segundo dia de desfiles no Anhembi com um enredo sobre uma das mais importantes manifestações culturais de São Paulo, o hip hop.

A proposta é discutir a cidade de São Paulo, suas ruas e sua relação com a arte. Com Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano, a escola terá na avenida as presenças de nomes como Negra Li, Emicida, Dexter, Djonga, Thaide e os Racionais MCs. 

Tom Maior

A segunda escola a desfilar no sábado de carnaval em São Paulo é a Tom Maior. Figura frequente no Grupo Especial desde 2005, a escola nunca foi além do quarto lugar. Neste ano, leva para a avenida o enredo Aysú – uma história de amor, com temática indígena. Personagens de um mito de origem grega, Orfeu e Eurídice ganham novos nomes no desfile da escola.

"Em uma fantástica viagem, daquelas que só o carnaval pode nos proporcionar, chamaremos Orfeu para sambar. Só que nessa terra tupiniquim um cocar ele vai usar. Retiraremos sua lira, lhe entregaremos uma flauta e nome melhor para ele vamos dar: Abaeté. É assim que vamos lhe chamar... Eurídice, aqui no Pindorama, virará Anahí e será a mais bela Cunhã-Poranga desse lugar e essa história de amor vamos carnavalizar. Já esse lindo sentimento, nesse delírio, vai ter nome de Aysú", explica a Tom Maior.

Mocidade Alegre

Atual campeã e dona de 11 troféus do Grupo Especial, a Mocidade Alegre vem forte em busca de mais um título. Desta vez, a escola vai apresentar a história de um dos nomes mais importantes da cultura brasileira: o paulistano Mário de Andrade, com o enredo Brasiléia Desvairada: A busca de Mário de Andrade por um país.

Há exatos 100 anos, em 1924, Mário de Andrade escreveu carta a Carlos Drummond de Andrade em que dizia “É no Brasil que me acontece viver e agora só no Brasil eu penso e por ele tudo sacrifiquei”. Na avenida, a Mocidade vai contar algumas das viagens que o escritor fez pelo Brasil, visitando o Sudeste, o Norte, o Nordeste para conhecer de perto a cultura popular do país.

Gaviões da Fiel

Maior vencedora entre as escolas vinculadas a torcidas de clubes de futebol no carnaval paulista, a Gaviões da Fiel vive um jejum de mais de 20 anos: o último dos quatro títulos até aqui veio em 2003. Em 2024, a escola, fundada por torcedores do Corinthians, vai apresentar o enredo Vou te Levar para o Infinito, que faz referências à primeira conquista da escola, em 1995.

A proposta da escola é, na avenida, desafiar a lógica do tempo e romper os limites do espaço, mergulhando na imensidão. "Quem sabe um dia, quando a mente delirar / Vou te levar pro céu, eu vou / Atravessar o tempo / A imensidão do universo me guiou", diz um trecho do samba-enredo.

Águia de Ouro

Campeã do Grupo Especial pela primeira vez em 2020, a Águia de Ouro tenta o bicampeonato, e vai levar para o Anhembi os 100 anos de história do rádio no Brasil, tendo como referência a fundação da Rádio Nacional, em 1922. 

A escola promete uma apresentação carregada de nostalgia, mostrando personagens históricos, como Edgar Roquette-Pinto, fundador da Nacional, e Roberto Landell de Moura, o Padre Landell, que ainda no fim do século XIX inventou as transmissões por ondas de rádio. 

Império de Casa Verde

Penúltima escola a desfilar no Grupo Especial de São Paulo neste ano, a Império de Casa Verde vai homenagear uma das maiores cantoras populares do país, com o enredo A Cabocla Mística em Rituais da Floresta: o Império de Fafá de Belém no palco do Carnaval.

A Império vai contar detalhes da vida e da carreira da cantora paraense, com referências às tradições amazônidas, festejos culturais e religiosos. E, claro, Fafá estará presente. A homenageada se envolveu com o desenvolvimento do trabalho da escola desde antes do anúncio oficial do enredo.

Acadêmicos do Tucuruvi

Fechando a série de desfiles do Grupo Especial de São Paulo em 2024, a Acadêmicos do Tucuruvi vai apresentar o enredo Ifá, sobre um oráculo africano de origem iorubá. Após duas temporadas na 11ª colocação, a Tucuruvi tenta voltar aos bons tempos, como em 2011, quando chegou ao vice-campeonato do carnaval paulistano, em sua melhor participação.

"Diversos mitos de origem nos contam que Ilé Ifẹ̀, berço da humanidade localizado na atual Nigéria, teria sido o seu local de surgimento. E, ali, não nasceria apenas o Ifá como a conexão entre o humano e o sagrado, mas, também, um ideal que prega o amor ao próximo e a superação de toda a maldade que há no homem, que deve viver em harmonia com ele mesmo e com a natureza. A filosofia de Ifá se construiu, durante séculos, como uma ciência africana que, a partir do triste processo de escravidão negra, chegou às Américas e espalhou-se por diversos países como Haiti, Cuba e Brasil", explica a escola.

Edição: Matheus Alves de Almeida