CENTRAL DO BRASIL

Sete em cada dez mulheres de SP têm medo de assédio no Carnaval, revela estudo

Rosana Chiavassa comentou levantamento divulgado pelo Instituto Locomotiva às vésperas da folia em todo o Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP) | |

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Blocos de carnaval costumam arrastar multidões pelas ruas de São Paulo - Edson Lopes Jr/Prefeitura de SP

Às vésperas do Carnaval, um dos períodos mais festivos e amados pelos brasileiros, um levantamento divulgado pelo Instituto Locomotiva junto ao Question Pro mostra que, em São Paulo, 7 em cada 10 mulheres têm medo de sofrer assédio.

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A pesquisa revelou ainda que 45% das mulheres do estado já sofreram assédio e 56% discordam que atualmente o Carnaval é mais seguro para mulheres do que no ano passado. A advogada Rosana Chiavassa diz que o medo não é só durante o carnaval, porque o assédio acontece em diversos ambientes.

“Não é só no Carnaval. É no réveillon, é nas festas das faculdades, é onde tiver aglomeração de jovens e bebida. A partir daí, a bebida desinibe e o homem, que vem com aquela cultura do machismo de que pode-se tudo e que a mulher é um objeto, ele acaba ultrapassando a linha divisória disso.”, revela Rosana.

Para a advogada, infelizmente ainda vai levar muito tempo para essa cultura do abuso acabar, que depende da mudança de comportamento gradual da sociedade. 

“Eu diria que vai demorar muito, mas o que é muito bom é que o que os tribunais têm decidido… vão, em algum momento, encerrar com essa postura, com esses comportamentos. Você precisa mudar o comportamento social, a educação. Ainda vai levar uns 80 anos. Mas, em termos de sociedade como um todo, você precisa ter algumas gerações que já vêm aprendendo que existe a igualdade para que elas repliquem para os filhos, os professores nas escolas de uma forma natural. E aí incorpora essa conduta na sociedade. Mas, os tribunais hoje são muito claros: o homem sempre será considerado culpado se houver o assédio e qualquer ato físico”, pontua.

“Porque os meninos esquecem que hoje estupro não é só a penetração. É passar a mão na menina, nos seios, nas nádegas , onde for… também é considerado estupro. Então, pelos nossos tribunais é assim: se o homem beber ou não beber e provada a ocorrência - e, neste momento, a palavra da mulher hoje em dia tem credibilidade, o que antes não acontecia -, ele será culpado e condenado”, alerta a advogada Chiavassa.

A pesquisa do Instituto Locomotiva ouviu moradores de todo o Brasil. Foram entrevistados 1.507 homens e mulheres com 18 anos de idade ou mais, entre os dias 18 e 22 de janeiro. Considerando todas as pessoas ouvidas pelo levantamento no país, os que concordam não haver problema em um homem “roubar” um beijo de uma mulher no carnaval se ela estiver bêbada e com pouca roupa representam 19%. Entretanto, a advogada que milita pelas causas das mulheres reforça que quem faz isso pode ser punido. 

“A mulher, em termos de violência, é considerada vulnerável. Portanto, não bebeu, ou bebeu muito, ou bebeu pouco, ela sempre será considerada vulnerável. Aí o menino pode falar: ‘não, mas ela falou sim’. Acontece que ela falou sim numa condição de álcool no corpo, que a premissa é: ela não tinha condições de decidir e, portanto, o rapaz será culpado”, argumenta.

Dado o medo e a cultura existente, é preciso ficar um pouco mais alerta e pedir ajuda imediatamente caso a mulher sinta-se numa situação desconfortável e de assédio. No Carnaval, período em que há maiores riscos desse tipo de violência contra mulher acontecer, o atendimento nas delegacias de plantão será ampliado, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. E ainda segundo o órgão, serão instaladas tendas para acolher vítimas de crimes sexuais nas regiões de megablocos de rua na capital paulista.

“É muito raro mulher sair na rua, nos blocos, no Carnaval, num salão sozinha. Normalmente, ela está com amigas. Então, é legal o uso do celular para fotografar, pra guardar como prova. Ela tem que na hora gritar. Infelizmente, ela ainda tem que gritar. Porque muitos homens já são simpatizantes da causa e começam a ajudar a mulher que consegue ali no momento denunciar. Nós teremos em São Paulo pelo menos muitas blitz nas ruas. Então, é procurar, verificar se tem polícia, procurar chamar e, dentro do que é possível, fotografar. Agora, [é preciso] tomar muito cuidado com carro de aplicativo na hora de ir embora. Porque passa a noite toda se divertindo, aí vai pra casa sozinha, é legal a amiga estando junto tirar uma foto da placa do carro”, recomenda.

A entrevista completa, feita pela apresentadora Luana Ibelli, está disponível na edição desta sexta-feira (09) do Central do Brasil, que está disponível no canal do Brasil de Fato no YouTube.

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O Central do Brasil é uma produção do Brasil de Fato. O programa é exibido de segunda a sexta-feira, ao vivo, sempre às 13h, pela Rede TVT e por emissoras parceiras.

Edição: Rodrigo Durão Coelho