Massacre

Após críticas de Biden por ataques a Rafah, Senado dos EUA aprova ajuda financeira a Israel com apoio da Casa Branca

Para liberar as verbas, a Casa Branca havia aceitado mudanças na política migratória que acabaram fora do texto final

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Criança palestina carrega um gato em maio aos escombros de edifícios danificados após o bombardeio israelense em Rafah na segunda (12) - Said Khatib / AFP

O Senado dos Estados Unidos aprovou na madrugada desta terça-feira (13) um pacote de ajuda financeira de 95 bilhões de dólares (R$ 472 bilhões) a Israel, Taiwan e Ucrânia.

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O projeto de lei, que o Senado aprovou com apoio bipartidário, não inclui mudanças na política de imigração dos EUA. Exclui as reformas migratórias e foi aprovado por 70 votos a favor e 29 contra, com o apoio de vários republicanos.

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Para liberar as verbas aos aliados internacionais, a Casa Branca havia aceitado mudanças na política migratória, como o fechamento da fronteira em casos de alto número de travessias irregulares e novas regras sobre pedidos de asilo no país. A medida, no entanto, acabou sendo barrada naquela ocasião.

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A aprovação do pacote financeiro acontece depois do presidente dos EUA, Joe Biden, criticar, pela segunda vez, os ataques israelenses a Rafah, cidade que abriga refugiados palestinos na fronteira com o Egito.

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Após encontro com o rei da Jordânia em Washington na segunda-feira (12), Biden fez um apelo para a proteção de civis em Rafah.

"Muitas pessoas lá foram deslocadas várias vezes, fugindo da violência para o norte e agora estão amontoadas em Rafah, expostas e vulneráveis. Eles precisam ser protegidos. Desde o início, deixamos claro que somos contra qualquer deslocamento forçado de palestinos de Gaza", afirmou o presidente dos EUA, principal aliado político e militar de Israel.

Localizada na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, a passagem humanitária em Rafah é a única via para saída de palestinos e estrangeiros do território sob ataque de Israel, que cerca o restante dos acessos terrestres e marítimos da área onde centenas de milhares de civis palestinos estão cercados. A cidade tem cerca de 1,3 milhão de pessoas atualmente, sendo que a maioria são deslocados da guerra, abrigados em barracas e cabanas de forma precária.

Biden já havia se manifestado em relação aos ataques a Rafah na última quinta-feira (8), quando classificou como "excessiva" a operação israelense. Apesar das declarações contra o país aliado, Biden segue rejeitando a ideia de um fim incondicional e indefinido das hostilidades em Gaza – posição defendida pelo rei Abdulah II, da Jordânia, que pediu um "cessar-fogo duradouro" nesta segunda em Washington. O presidente dos EUA, por sua vez, defendeu uma pausa "de pelo menos seis semanas" em discurso na Casa Branca.

"Os Estados Unidos trabalham em um acordo de reféns entre Israel e o Hamas, que traria um período imediato e sustentado de calma a Gaza durante pelo menos seis semanas" e poderia levar a "algo mais duradouro", disse o democrata.

O número de pessoas palestinas mortas pelos ataques israelenses a Gaza chegou a 28.743, segundo o Ministério da Saúde no território, incluindo 12.300 crianças e 8.400 mulheres. Ao menos 68.146 pessoas ficaram feridas nesses ataques, sendo 8.663 crianças e 6.327 mulheres. Mais de 11 mil pessoas feridas estão em necessidade crítica de evacuação, segundo as autoridades.

Edição: Nicolau Soares