REAÇÃO

Ocidente querer enviar tropas à Ucrânia pode levar a conflito nuclear, adverte Putin

Presidente da Rússia respondeu possibilidade considerada por Macron, afirmando que consequências seriam 'trágicas'

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O presidente russo, Vladimir Putin , propôs o restabelecimento dos contatos diretos com a Ucrânia, rompidos desde 2022 | Crédito: Kremlin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, respondeu a hipótese francesa de envio de tropas ocidentais à Ucrânia em seu discurso anual ao Parlamento do país, nesta quinta-feira (29/02), afirmando que o plano cogitado pelo Ocidente "levaria à ameaça de um conflito com armas nucleares e, portanto, à aniquilação da civilização". 

O rechaço de Putin vem após o presidente da França, Emmanuel Macron, ter ventilado na última terça-feira (27/02) a hipótese de enviar tropas ao país militarmente financiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Começaram a falar sobre a possibilidade de mandar contingentes militares da Otan à Ucrânia. Vamos lembrar o destino daqueles que, no passado, enviaram seus contingentes a nosso país. Agora as consequências seriam muito mais trágicas", disse Putin diante do Parlamento russo. 

A advertência de Putin decorre do "estado total de prontidão" que as forças nucleares russas, compostas por sistemas hipersônicos com base no mar e de alcance intercontinental, sistemas de laser, e mísseis de cruzeiro e balísticos se encontram. 

Putin mencionou também que "as capacidades de combate das Forças Armadas multiplicaram-se significativamente e estão firmemente na posse da iniciativa". 

O líder do Kremlin ainda acusou os países ocidentais de tentarem "arrastar" a Rússia para uma "corrida armamentista", buscando "repetir o truque usado nos anos 1980 com a União Soviética".

“Eles gostariam de fazer com a Rússia a mesma coisa que fizeram em muitas regiões do mundo, incluindo a Ucrânia. Precisam de um território moribundo, dependente e em declínio, onde possam fazer o que quiserem”, disse Putin sobre os planos coloniais dos países ocidentais.

Mais uma vez, o presidente russo relembrou que as consequências não seriam como no passado, mas sim "péssimas", e afirmou que são "absurdas" as alegações que seu país tente atacar a Europa. 

Outra acusação europeia rechaçada pelo líder russo é a de implantação de armas nucleares no espaço, afirmando que as acusações são "infundadas".

BRICS e nova arquitetura financeira global

Durante o discurso à nação, o presidente russo comentou sobre o papel crescente do BRICS nas transformações da economia mundial contra “os velhos monopólios e estereótipos" do Ocidente. 

"Em 2028, os BRICS, incluindo os países que recentemente se tornaram membros desta aliança, gerarão cerca de  37% do PIB mundial , enquanto o número do G7 cairá abaixo dos 28% ”, adiantou Putin.

Putin ainda prometeu que a Rússia será "uma das quatro maiores potências econômicas do mundo" e revelou a intenção de construir uma "nova arquitetura financeira global" com "países amigos", o que seria uma forma de reduzir o impacto das sanções ocidentais.

A mensagem de Putin acontece a poucas semanas das eleições presidenciais nas quais tentará a reeleição, enfrentando outros três candidatos. O Conselho da Federação da Assembleia Federal marcou as eleições presidenciais para 17 de março de 2024. 

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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