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Em almoço do Dia das Mulheres, Lula diz que conquistas femininas não são 'favor de governo' e anuncia novos programas

Presidente almoçou no restaurante Tia Zélia, tradicional reduto da esquerda na capital federal, para marcar a data

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Presidente fez um paralelo das conquistas das mulheres no Brasil com a recente tentativa de golpe ocorrida em 2023 - Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (8) em almoço para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres em Brasília que os desafios das lutas femininas são milenares e que as conquistas das mulheres não são "favor de governo".

"O sucesso de participação na vida política, no mundo do trabalho, no mundo cultural das mulheres não é favor do governo. Isso foi conquista de vocês, como a dona Zélia conquistou o direito de estar aqui junto conosco", afirmou o presidente sob aplauso dos presentes.  

Lula, a primeira-dama Janja da Silva e a ministra das Mulheres Cida Gonçalves realizaram um almoço nesta sexta no restaurante Tia Zélia, o preferido do presidente e reduto da esquerda na capital federal, para anunciar as medidas do governo para a data. O restaurante leva o nome da proprietária, uma imigrante nordestina que construiu sua vida na capital federal e se consolidou com o tradicional restaurante de comida brasileira.


Local ficou lotado para almoço com Lula e ministras / Ricardo Stuckert/PR

Na ocasião, o presidente ainda fez um paralelo das conquistas das mulheres no Brasil com a conquista da democracia e a recente tentativa de golpe ocorrida no ano passado. 

"Estamos vivendo agora o período mais longevo de democracia contínua. Mesmo assim, no 8 de janeiro do ano passado, alguns malandros queriam dar um golpe aqui e não deixar que acontecesse o resultado das eleições. Até hoje essas pessoas dizem que as eleições não valeram porque a urna eletrônica não sei das quantas e tal. Então você percebe que nossas conquistas democráticas são recentes, e das mulheres são mais recentes ainda", afirmou o petista. 

Ele chegou a classificar as lutas das mulheres em todo o mundo como um "contencioso milenar", disse que não se muda a consciência das pessoas de uma hora pra outra e aproveitou a oportunidade para elencar todas as iniciativas do governo em apoio às mulheres.  

"Tenho certeza absoluta que as pessoas que estão aqui, que trabalham no governo, muitas delas não sabem a totalidade de coisas que já foi feita para as mulheres, a começar pelo crédito do Banco do Brasil, da Caixa Econômica. No Banco do Nordeste, 68% do dinheiro para agricultura é para a mão da mulher", afirmou Lula. 

Ao final de seu discurso ele ainda parabenizou as mulheres e reafirmou seu apoio à ministra Cida Gonçalves. "Você tem todo meu apoio para fazer com que esse Ministério das Mulheres possa ser motivo de orgulho. Que no mundo inteiro, em todos os países possa ter ministério da mulher", disse. 

Prioridade nas políticas públicas 

Antes de Lula, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves também discursou no restaurante e defendeu a importância de colocar o público feminino como prioritário nas políticas públicas.  

"Nós precisamos todas nos convencer nossos chefes e as nossas pessoas que estão conosco que as mulheres têm papel prioritário nas políticas públicas. A maioria das mulheres passa fome. Dos 33 milhões que passam fome no país, 80% são mulheres, dessas, 67% são negras e quase 60% são mães solo", afirmou a ministra. 

Na sequência, ela anunciou as medidas do pacote do governo para a data, que inclui a destinação de R$ 10 milhões do Ministério das Mulheres para apoiar estados na aquisição de tornozeleiras eletrônicas, equipamentos que são usados também para proteger mulheres vítimas de violência doméstica no contexto da Lei Marinha da Penha; a inauguração do Centro de Referência da Mulher Brasileira de Jataí, em Goiás; e da Casa da Mulher Brasileira em Teresina (PI).

O governo ainda anunciou o lançamento de um editar para ajudar a estruturar secretarias das mulheres nos estados e no Distrito Federal, no valor de R$ 3 milhões. 

Também foi oficializado nesta sexta o programa "Mulheres Indígenas Tecendo o Bem Viver", uma parceria entre as pastas das Mulheres e dos Povos Indígenas para fomentar iniciativas socioeconômicas promovidas por coletivos de mulheres indígenas.  

Confira abaixo todas as inciativas anunciadas pelo governo nesta sexta: 

Inauguração da Casa da Mulher Brasileira de Teresina (PI) nesta sexta-feira. No dia 26 de março será inaugurada a segunda Casa do mês, em Ananindeua (PA). Para o segundo semestre estão previstas unidades em Palmas (TO), Macapá (AP), Vila Velha (ES), Aracaju (SE) e Goiânia (GO). 

Inauguração do Centro de Referência da Mulher Brasileira de Jataí, em Goiás. Na próxima segunda-feira (11) ocorre o lançamento em Cidade Ocidental (GO). A previsão é que sejam inaugurados 13 novos Centros ainda em 2024. As demais unidades são em Santo Antônio do Descoberto (GO), Tubarão (SC), Guarapuava (PR), São Raimundo Nonato (PI), Francisco Beltrão (PR), Recanto das Emas (DF), São Sebastião (DF), Sobradinho II (DF), Águas Lindas de Goiás (GO), Cuiabá (MT) e Sol Nascente (DF). 

Investimento em tornozeleiras eletrônicas: o Ministério das Mulheres vai destinar R$ 10 milhões para apoiar os estados com a aquisição de tornozeleiras eletrônicas. A ação ocorre no âmbito da Lei Maria da Penha e protege as mulheres de seus agressores. O valor se soma aos R$ 3,9 milhões já liberados, por edital, para nove estados: Maranhão, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Acre, Bahia, Tocantins, Amazonas, Sergipe e Alagoas. 

Mulheres da Paz: programa visa a formação de lideranças para o enfrentamento à violência de gênero e à misoginia, desenvolvido como parte do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A iniciativa conta com um repasse de R$ 10 milhões do Ministério das Mulheres e investimentos de R$ 20 milhões do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

No dia 19 de março, será lançado o Plano Nacional de Ações do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. O pacto foi instituído em agosto de 2023, com o objetivo de prevenir todas as formas de discriminação, misoginia e violência de gênero contra mulheres e meninas, por meio da implementação de ações governamentais. 

Programa Mulheres Indígenas Tecendo o Bem Viver: Os ministérios da Mulher e dos Povos Indígenas assinaram portaria conjunta que institui o Programa Mulheres Indígenas Tecendo o Bem Viver. A publicação foi feita no Diário Oficial da União desta sexta-feira (8). Entre os objetivos estão fomentar iniciativas socioeconômicas promovidas por coletivos de mulheres indígenas, incentivar o protagonismo das mulheres indígenas e suas organizações e fortalecer as redes de proteção e ação coletiva, visando a promoção, a garantia de direitos e a prevenção às violências. 

Espaços de Poder e Decisão 

Lançamento da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres e assinatura de Acordo de Cooperação Técnica com TSE, PGE, MPF e CNJ para o estabelecimento de um protocolo de atendimento para mulheres que sofrem violência política, em 27 de março. 

Edital de estruturação de secretarias das Mulheres estaduais e distrital. O valor total será de R$ 3 milhões, sendo R$ 2,1 milhões para investimento, e R$ 900 mil para custeio, para celebração de termo de convênio com o Ministério das Mulheres 

Edital de apoio a projetos de formação política para mulheres: com R$ 4 milhões de investimento, iniciativa visa aumentar a participação das mulheres em espaços de poder e decisão. Com o nome “Igualdade de Decisão e Poder para Mulheres”, o edital será lançado este mês e terá como foco projetos de organizações da sociedade civil. 

Autonomia Econômica 

Programa Asas pro Futuro: com o intuito de ampliar a participação de jovens mulheres de periferia em setores de tecnologia, energia, infraestrutura, logística, transportes, ciência e inovação, com ênfase em carreiras voltadas para a sustentabilidade socioeconômica. A iniciativa visa beneficiar mulheres jovens de 15 a 29 anos em situação de vulnerabilidade social, preferencialmente mulheres negras e indígenas. Estão previstos investimentos de R$ 10 milhões para o programa e cerca de 20 mil mulheres jovens atendidas por ano. A ação é uma parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República e conta com o apoio da Caixa Econômica Federal. 

Empodera Mulheres na TI: acordo de cooperação com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) com investimento social no valor de R$ 500 mil. Iniciativa irá atender cerca de 500 mulheres. 

Programa Energia Mais Mulher: Programa Energia Mais Mulher: iniciativa em parceria com o Ministério de Minas e Energia tem como objetivo alavancar a carreira de mulheres do setor energético; e incentivar o ingresso de mulheres jovens. O acordo prevê reserva de 30% em cursos de qualificação profissional e 50% em formação social para mulheres jovens nas parcerias do MME. 

Elas Exportam: Acordo de cooperação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que vai reservar vagas no setor de exportação e na área de comércio exterior para mulheres. 

Parcerias em editais com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para apoiar projetos que estimulem o ingresso, a formação e a permanência de meninas e mulheres nas Ciências Exatas, Engenharias e na Computação. 

Atualmente, o Ministério das Mulheres em parceria com o Instituto Federal de São Paulo desenvolve um projeto-piloto na região da Alta Paulista, no estado de São Paulo, chamado "Elas nas Exatas", que visa incentivar jovens estudantes de escolas públicas a ingressar nas carreiras STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O piloto vai atender cerca de 500 jovens. A parceria foi assinada em dezembro do ano passado e começa a ser executada em abril deste ano. 

Empreendedorismo 

Para as mulheres empreendedoras, o Ministério das Mulheres em parceria com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) vão lançar a Estratégia Elas Empreendem, uma política pública elaborada para o fortalecimento do empreendedorismo feminino como instrumento de desenvolvimento econômico e social do país. 
 
Com foco no microempreendedorismo, a estratégia prevê ações para ampliação do acesso a crédito, educação financeira, acesso a mercado, tecnologia e inovação, maternidade, diversidade e vulnerabilidade, por meio de integração de políticas públicas e participação de entidades da sociedade civil para que as iniciativas cheguem até a ponta. 
 
Aliado a essa estratégia, o Ministério das Mulheres ainda celebra uma parceria com o Sebrae focada no fortalecimento das mulheres empreendedoras, concretizando ações estratégicas para a alavancagem do setor no país. 

Saúde 

Teste de rastreio de câncer de colo de útero: o piloto desse programa ocorreu em Recife, Pernambuco, em 2023, e agora será anunciada a expansão nacional, que deverá ter início em agosto de 2024. 

O Ministério da Saúde também anunciará a testagem molecular nacional de HPV a começar no mês de agosto deste ano. 

Instalação de Fóruns para apoios às mulheres: do Hip Hop; Pescadoras; Quilombolas; e enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Campo, das Florestas e das Águas. 

Brasil sem Misoginia 

No dia 20 de março, o Sebrae adere à iniciativa Brasil sem Misoginia, junto de outras parcerias em conjunto ligadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. Na mesma data, o Ministério das Mulheres assina um Acordo de Cooperação Técnica com os Correios que visa promover campanhas de utilidade pública sobre o enfrentamento à misoginia para o público interno e externo da empresa e formação sobre o tema do enfrentamento às violências contra as mulheres. 

Edição: Thalita Pires