60 anos depois

Maioria no Brasil não crê em volta da ditadura e apoia veto de Lula a atos do golpe, diz Datafolha

Levantamentos foram divulgado na data que marca aniversário do golpe militar no país

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Os crimes da ditadura se estendem até os dias de hoje, nas ações do neofascismo, na violência da Polícia Militar - Arquivo Nacional

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (31), mostra que a maioria da população (53%) não vê chance de uma nova ditadura no Brasil e também que 59% dos brasileiros apoia a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar a realização de eventos em órgãos públicos para marcar a data dos 60 anos do golpe militar no país neste dia 31 de março. 

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Os dados mostram que a porcentagem dos que não veem possibilidade da volta de um regime ditatorial no país é a maior em dez anos, quando o Datafolha começou a medir a opinião da população brasileira sobre a eventual volta da ditadura. Além disso, a pesquisa também revela que apesar de ter causado um mal-estar entre partidos e movimentos sociais de sua base aliada, a decisão de não realizar eventos oficiais sobre os 60 anos do golpe que impôs uma ditadura civil-militar no país foi respaldada pela maioria da população. 

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Ao todo, a pesquisa Datafolha ouviu 2.022 pessoas em 147 cidades brasileiras em 19 e 20 de março. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Na última pesquisa do tipo, realizada em agosto de 2022 em plena disputa eleitoral entre Lula e Bolsonaro, 49% acreditavam na impossibilidade de uma nova ditadura, com 25% vendo pouco risco e 20%, muita chance de volta de um regime ditatorial.

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O levantamento indica ainda que a maior porcentagem dos que não veem chance de volta da ditadura coincide com o ápice das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado ocorrida após as eleições de 2022 para tentar manter o então presidente Jair Bolsonaro no poder. Em uma ofensiva sem precedentes sobre militares de alta patente, a Polícia Federal intimou para depor sobre a suspeita de golpe os ex-comandantes das três Forças Armadas, o ex-ministro da Defesa e outros militares de alta patente e ex-ministros de Bolsonaro. 

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Os comandantes do Exército e da Aeronáutica confirmaram à PF que o ex-presidente chegou a apresentar a eles propostas de decretos golpistas para evitar a posse de Lula. Segundo os dois ex-comandantes, apenas o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, teria sinalizado apoio à iniciativa do presidente caso ele seguisse adiante com um decreto golpista. Intimado pelos investigadores, Garnier ficou em silêncio. 

Postura conciliadora 

Outro achado da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo foi o de que a polêmica decisão de Lula de evitar quaisquer eventos oficiais para rememorar os 60 anos do golpe encontra respaldo da população, sobretudo dos que se declaram petistas, indicando um alinhamento de grande parcela da população ao tom conciliatório que o presidente vem adotando com os militares, mesmo após a tentativa de um novo golpe ocorrida em 8 de janeiro de 2023 e que contou com a ampla simpatia de setores militares, apesar de não ter ocorrido a adesão formal dos comandos das Forças Armadas. 

Entre aqueles que se dizem muito ou algo petistas, 41% do total da amostra, 77% acham que ele agiu bem. Outros 19% dizem que ele decidiu mal no caso. Já entre os que se declaram bolsonaristas, 49% afirmam que Lula agiu mal, ante 42% que aprovaram o veto, o que pode indicar também uma possível confusão deste eleitorado ao considerar que atos de lembrança do golpe poderiam ser uma forma de elogio ao regime militar, apoiado abertamente por Bolsonaro. 

Edição: Rodrigo Durão Coelho