Ditadura nunca mais

Ato em memória aos desaparecidos e mortos da ditadura cobra medidas de reparação e justiça

Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado ocorre anualmente em São Paulo

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Manifestação ocorreu em frente ao DOI-CODI, um dos principais centros de tortura da ditadura militar, em São Paulo - Paulo Pinto/Agência Brasil Geral

A tradicional Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado aconteceu neste domingo (31), em São Paulo. O ato, que anualmente relembra o golpe militar de 1964, reuniu políticos, familiares de vítimas da ditadura militar e ativistas 

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Com o lema "Para que não se esqueça, para que não continue acontecendo", a manifestação fez críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que suspendeu as cerimônias institucionais sobre a ditadura militar. 

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Recentemente, Lula afirmou que não pode "ficar remoendo sempre" o passado ditatorial, quando questionado sobre o cancelamento da cerimônia de aniversário de 60 anos do golpe de 1964, planejada para o dia 1º de abril deste ano. "Eu não vou ficar remoendo e eu vou tentar tocar esse país para frente", disse em entrevista para o programa É Notícia, da RedeTV!.  

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A crítica esteve nas falas de petistas que marcaram presença na manifestação, como o ex-ministro José Dirceu. Na ocasião, ele, que foi um dos presos políticos da ditadura militar, afirmou que “enquanto as Forças Armadas brasileiras não submeterem ao poder civil, significa que o currículo das escolas militares precisa mudar".  

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O ato também contou a presença do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP) e da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP). A congressista disse que continuará cobrando medidas de reparação, justiça e memória acerca da ditadura. 

“Não vamos esquecer [o que aconteceu]. Vamos continuar cobrando, exigindo e levando às novas gerações a realidade sobre aquele tempo para que eles também nos ajudem a continuar essa luta. Não podemos permitir que os crimes da ditadura fiquem impunes, como os desaparecimentos forçados de mais de 4 mil brasileiros. Enquanto isso não for passado a limpo, a ditadura não acaba. Temos que continuar lutando por essa causa e não admitir que isso seja esquecido porque o esquecimento pode levar a riscos de outras ditaduras”, disse. 

O ato ocorreu em frente ao antigo Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, um dos principais locais de tortura e assassinatos da ditadura.  

“Esse é um ato que relembra os 60 anos da malfadada ditadura. Estamos em frente a um dos mais importantes centros de repressão da ditadura militar brasileira que é a antiga sede do DOI-Codi, onde as Forças Armadas, associada à sociedade civil de São Paulo, torturaram milhares de pessoas no fundo desse prédio e onde dezenas de companheiros e companheiras foram assassinados”, disse Henrique Olita, membro do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), durante o ato. 

A manifestação foi organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, representado pelo Instituto Vladimir Herzog, o Núcleo de Preservação da Memória Política e a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), com apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.  

Edição: Vivian Virissimo