Panos quentes

Petro se reúne com Maduro em Caracas após farpas e diz que Colômbia pode ajudar na construção de 'paz política' na Venezuela

Encontro ocorre duas semanas depois de o presidente da Colômbia criticar processo eleitoral da Venezuela

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
Petro também afirmou que a Venezuela já ajudou muito a Colômbia a resolver conflitos com grupos armados em governos anteriores e que a ideia, agora, é reforçar essa cooperação - Juan BARRETO / AFP

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta terça-feira (9) em visita à capital venezuelana, Caracas, que seu país pode ajudar na construção de uma “paz política” na Venezuela. A declaração foi feita ao lado do chefe do Executivo venezuelano, Nicolás Maduro, no Palácio Miraflores, sede do governo de Caracas. 

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O Brasil de Fato esteve no local para acompanhar o encontro. Os dois tiveram uma reunião para discutir trocas comerciais, acordos econômicos, energéticos e estabelecer um diálogo permanente entre os dois países. O encontro foi realizado dias depois de uma tensão diplomática entre os países, que começou depois que a professora Corina Yoris afirmar que não conseguiu se candidatar para as eleições na Venezuela. Petro disse que isso era um “golpe antidemocrático” e os países trocaram farpas por meio das chancelarias.

Ao lado de Maduro, Petro não citou as eleições venezuelanas e disse que a Colômbia trabalha para construir uma paz política na região. “A Colômbia pode ajudar muito na paz política, na estabilidade política em toda a América do Sul. A paz política na Venezuela pode ser também a paz armada na Colômbia. A paz política tem a ver com a segurança”, disse o chefe do executivo colombiano.

Em nota divulgada depois do encontro, a chancelaria venezuelana disse que Maduro detalhou ao colombiano os avanços no processo eleitoral venezuelano e disse que tudo está dentro das leis eleitorais venezuelanas e cumpre o que foi assinado no acordo de Barbados, discutido entre governo e oposição. 

Petro também afirmou que a Venezuela já ajudou muito a Colômbia a resolver conflitos com grupos armados em governos anteriores e que a ideia, agora, é reforçar essa cooperação.

“A Venezuela pode nos ajudar muito e já fez por muitos anos em governos anteriores ao meu, no tema dos conflitos armados. Exitosos no governo de santos e que temos que construir agora nos nossos governos”, disse Petro.

Caracas será sede do próximo ciclo de diálogos entre o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN) e o governo da Colômbia de 12 a 22 de abril. As duas partes tem um acordo de cessar-fogo assinado até agosto e buscam uma prorrogação da trégua armada.

Os dois líderes discutiram também a possibilidade de acordos para a segurança, que teriam como objetivo a desarticulação de grupos criminosos e o combate ao uso de criptomoedas na lavagem de dinheiro. “Pensamos em uma paz política que deve acontecer na Venezuela e uma paz em torno do conflito armado na Colômbia”, afirmou o colombiano. 

Maduro teve uma fala mais breve. Em 3 minutos e meio, o presidente da Venezuela disse que estava disposto a ajudar a Colômbia “no que for preciso” e reforçou a necessidade de paz na região. Falou também que Venezuela e Colômbia eram como “irmãos siameses” e disse que os dois têm uma “visão comum” sobre os conflitos no continente e sobre os ataques israelenses na Faixa de Gaza. 

“Venezuela sempre estará a sua ordem para ajudar a Colômbia a construir a paz, porque a paz da Colômbia é a paz na Venezuela, assim como a paz na Venezuela nas questões políticas, econômicas e sociais é a tranquilidade da Colômbia”, disse Maduro.

Edição: Rodrigo Durão Coelho