Crise humanitária

Conselho de Transição toma posse no Haiti para dar início à formação de novo governo

Ministro da Economia assumiu o poder após a renúncia de Ariel Henry do cargo de primeiro-ministro

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Ariel Henry renuncia ao cargo de primeiro-ministro para dar início à transição no Haiti - Richard Pierrin / AFP

O Conselho de Transição tomou posse no Haiti na quinta-feira (25), após Ariel Henry anunciar sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro, que passa a ser ocupado interinamente pelo ministro da Economia de seu governo, Michel Patrick Boisvert, enquanto o país aguarda a formação de um novo governo.

Com duração de 22 meses, o governo provisório terá como missões melhorar a segurança da capital do país, Porto Príncipe, e criar condições para eleições presidenciais, que devem acontecer em um prazo de dois anos, no dia 7 de fevereiro de 2026. Entre as prioridades definidas no documento estão a restauração da segurança pública, a organização de uma conferência nacional e a reforma constitucional.

Líderes haitianos chegaram a um acordo no início de abril sobre o governo de transição que irá substituir o ex-primeiro-ministro Ariel Henry, que renunciou ao poder em março em meio a protestos populares contra seu governo e a intensificação da ação de gangues armadas que controlam cerca de 80% do território de Porto Príncipe.

Cerca de 360 ​​mil haitianos continuam deslocados internamente, sendo que 95 mil pessoas deixaram a capital devido à ação violenta de gangues. Apenas entre os dias 8 e 14 de março, 17 mil pessoas deixaram a capital segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), agência das Nações Unidas. Ainda segundo a ONU, cerca de cinco milhões de haitianos estão em situação de “fome aguda.

Mobilização popular

Protestos pedindo a renúncia de Ariel Henry ganharam as ruas da capital haitiana em fevereiro deste ano. Após a visita de Henry ao Quênia para apoiar o envio de uma força de segurança ao Haiti liderara pelo país da África Oriental, a ação armada das gangues se intensificou na capital e o então primeiro-ministro se refugiou na República Dominicana, de onde anunciou que renunciaria ao cargo

Henry permaneceu na República Dominicana aguardando condições de retornar ao Haiti, o que aconteceu após o acordo para o governo de transição, que teve a chancela do bloco regional da Comunidade do Caribe (Caricom), Henry retornou ao país para oficializar sua renúncia.

Apesar de o Conselho ter se comprometido com a chegada de uma missão militar estrangeira - ainda a ser definida - em nome da segurança no país, movimentos populares haitianos se posicionam contra a ideia. Eles argumentam que a presença de soldados de outros países já causou muitos danos ao Haiti e que a saída para a atual crise deve vir dos próprios cidadãos haitianos. 

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Edição: Leandro Melito