DIPLOMACIA

Putin confirma viagem à China em maio e EUA advertem Pequim sobre apoio à Rússia

Na mesma semana, Celso Amorim fez uma viagem à Rússia e reforçou defesa de multipolaridade

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
O líder da China, Xi Jinping, com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante reunião em Pequim, em 26 de abril de 2024. - Mark Schiefelbein/POOL/AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, informou na última quinta-feira (25) que está planejando uma visita à China em maio.

Durante um congresso da União Russa de Industriais e Empresários, um dos participantes do evento pediu ao líder russo para entregar o livro de Nikolai Chernyshevsky O que fazer? ao líder chinês, lembrando que a cópia do livro foi publicada em 1953 e chegou à biblioteca no dia 15 de junho, conforme evidenciado pelo carimbo em uma das páginas, data do aniversário de Xi Jinping. 

"Estou planejando uma visita em maio, com certeza vou levar este livro comigo e entregá-lo ao nosso amigo", respondeu o presidente russo, Vladimir Putin. 

Já nesta sexta-feira (26), o secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, esteve em vista à China e, durante reunião com Xi Jinping, advertiu Pequim sobre um eventual incremento de ajuda à Rússia no contexto da guerra da Ucrânia. 

Blinken afirmou que a China não pode melhorar as relações com a Europa enquanto apoia a Rússia. 

"Garantir a segurança transatlântica é um interesse central dos EUA. Nas nossas discussões de hoje, deixei claro que se a China não resolver este problema, nós o faremos", disse o secretário de Estado, apesar de não especificar quais medidas os EUA poderiam tomar.

Já o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, alertou Washington para não ultrapassar as "linhas vermelhas" em relação à China. O líder chinês, Xi Jinping, por sua vez, apelou aos Estados Unidos para serem "parceiros, não rivais".

Celso Amorim na Rússia

O assessor especial da Presidência e ex-chanceler brasileiro, Celso Amorim, esteve em visita à Rússia nesta semana, onde se encontrou com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia. Os diplomatas discutiram a crise na Ucrânia e reforçaram a parceria estratégica dos dois países no âmbito do grupo BRICS e do Sul Global.

"Durante a conversa, que ocorreu no clima amistoso inerente às relações de parceria estratégica russo-brasileira, foi realizada uma troca de pontos de vista interessada e de confiança sobre questões atuais da agenda internacional, incluindo o tema da interação na ONU e no BRICS, em particular. Foi dada atenção especial aos problemas da crise ucraniana", informou a chancelaria russa em comunicado.

Já o assessor especial do presidente Lula enfatizou a ascensão do Sul Global e defendeu reforma do sistema de governança internacional. Segundo ele, o crescimento dos "países do Sul" tem sido "um dos mais significantes desenvolvimentos internacionais nos últimos 25 anos".

"Uma multipolaridade pacífica não pode existir sem o apoio de instituições multilaterais fortes. Como o presidente Lula afirma, enfrentamos uma escolha dramática: de um lado, conflitos e desigualdade, do outro, paz e prosperidade baseada em uma governança justa e eficiente", disse Amorim em seu discurso em São Petersburgo. 

O presidente russo, Vladimir Putin, por sua vez, não participou presencialmente da reunião, mas enviou uma mensagem de vídeo para o encontro, na qual reforçou a defesa de um mundo multipolar. "A Rússia está preparada para uma estreita colaboração com todos os parceiros interessados em defender a segurança global e regional e estabelecer uma nova ordem internacional multipolar que se alinhe aos interesses da maioria das nações", disse.

Edição: Rodrigo Durão Coelho