Eleições 2024

Vice da Venezuela diz que é possível crescer mesmo sob sanções dos EUA

Delcy Rodríguez negou que governo esteja discutindo um plano de transição com oposição do país

No audio source provided.
Delcy Rodríguez também defendeu diplomacia que busca engajamento e diálogo no campo da energia | Crédito: Jorge Rodríguez

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniu nesta segunda-feira (27) diplomatas, movimentos populares e representantes de diferentes países da América do Sul para falar sobre as eleições venezuelanas. Durante o seu discurso, ela negou que está sendo discutida uma transição e enfatizou a frase que tem sido o lema do governo nos últimos meses: crescer mesmo com as sanções

A reunião online foi parte do encontro do comando da campanha Nossa Venezuela. Mais de 500 pessoas acompanharam a fala de Delcy Rodríguez, que abordou a “asfixia” que o país sofre com o bloqueio imposto pelos Estados Unidos à economia venezuelana.

“Passamos por uma asfixia para mudança de política. Querem explorar os recursos naturais, e o ex-presidente dos EUA Donald Trump deixou isso muito claro quando disse que não precisava pagar pelo petróleo venezuelano já que poderia ter de forma gratuita. Eles tentam causar sofrimento à economia e consideram que o sofrimento do povo venezuelano é um dano colateral”, afirmou.

De acordo com ela, as sanções contra o setor petroleiro reduziram a entrada de dólares em 99% de 2014 a 2020. A vice-presidente disse que o impacto das sanções na economia venezuelana foram de US$ 642 bilhões (mais de R$ 3,3 trilhões) nesse período e fez a comparação com os outros países do continente.

“Para se ter ideia, todas as reservas internacionais da América do Sul estão em torno de US$ 660 bilhões. Isso causou feridas nos salários, na infraestrutura… Foi como várias bombas da Alemanha nazista caindo na sociedade. Sobre cada bomba construímos e curamos as feridas sociais. Imagine como isso afeta os serviços de água, saúde, energia. Tivemos paciência estratégica para sair dessa situação e estamos recuperando os serviços públicos, os ingressos dos trabalhadores”, afirmou.

bloqueio começou a ser imposto em 2015 e impactam a produção e exportação do principal produto venezuelano: o petróleo. De acordo com o governo de Nicolás Maduro, em janeiro de 2015 eram produzidos 2,5 milhões de barris diários de petróleo. Em 2020 esse número caiu para 339 mil.

Eleições e oposição

A oposição venezuelana tem ventilado a possibilidade de assinar acordos para uma eventual transição de governo. O próprio presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propôs ao presidente Nicolás Maduro a realização de um plebiscito antes do pleito do dia 28 de julho. A ideia é que a iniciativa garanta que o vencedor das eleições não persiga o perdedor, seja governo ou oposição.

Segundo Delcy Rodríguez, a única transição em curso é “a consolidação de um modelo inclusivo e a transição ao socialismo bolivariano”.

Ela criticou a postura da oposição venezuelana de pedir mais sanções, considerando a situação grave no país por causa do bloqueio e disse que a conduta da extrema direita já foi sentida em outros países da região.

“Olha como vive a Argentina, com [o presidente Javier] Milei, que foi claro em dizer que ia demitir centenas de milhares de funcionários público, piorou a vida dos trabalhadores lá. Como viveu também o Brasil com o negacionismo do [ex-presidente Jair] Bolsonaro. Durante a pandemia de covid-19, hospitais sem oxigênio, e esse país irmão foi o epicentro da pandemia na América Latina”, afirmou.

As eleições no país estão marcadas para 28 de julho. Nove candidatos disputarão o pleito contra o atual presidente, Nicolás Maduro. O nome que assumiu protagonismo no campo da direita foi Edmundo González Urrutia. Ele se inscreveu mesmo depois do fechamento do período de registros eleitorais e foi apoiado pela Plataforma Unitária, depois de uma disputa interna ao grupo, travada entre o governador de Zulia, Manuel Rosales, e a ultraliberal María Corina Machado – que está inabilitada por 15 anos.

|

Newsletter