Guerra

Putin nega que Rússia tenha iniciado ‘retórica nuclear’

No Fórum Econômico de São Petersburgo, presidente russo descartou uso de armas nucleares contra Ucrânia

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Presidente russo, Vladimir Putin, participa do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo | Crédito: Sergey Bobylev / Ria Novosti / Kremlin

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira (7) que não exclui que a Rússia tenha que alterar sua doutrina nuclear, mas observou que ainda não vê necessidade disso na atual situação. Ao mesmo tempo, ele rechaçou a ideia de que a Rússia tenha iniciado uma  "retórica nuclear" no contexto da guerra da Ucrânia.

Putin destacou que parte do fato de que o mundo nunca chegará a ataques com mísseis nucleares, mas não excluiu a possibilidade de alterar a doutrina nuclear do país. "Eu, afinal, parto do fato de que nunca chegaremos a este ponto (ataques nucleares) e não temos essa necessidade", disse Putin.

A atual "doutrina nuclear russa" é o documento que rege o uso de armamentos deste tipo no país. Ele foi atualizada em 2020 e prevê o uso de armas nucleares em caso de ameaça à existência do estado da Rússia. De acordo com o documento, "a Federação Russa reserva-se o direito de usar armas nucleares em resposta ao uso de armas nucleares e outros tipos de armas de destruição em massa contra ela e (ou) seus aliados, bem como em caso de agressão contra a Federação Russa usando armas convencionais, quando a própria existência do estado está ameaçada".

O presidente russo participou do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, realizado nos dias 6 e 7 de maio. Na véspera, ele se reuniu com a ex-presidenta brasileira e atual chefe do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Dilma Rousseff, durante o evento. Nesta sexta-feira (7), após discursar sobre a situação econômica, ele participou de uma sessão plenária e foi abordado sobre a atual situação da guerra na Ucrânia.

Ao ser questionado sobre os riscos do conflito escalar para o uso de armas nucleares, o presidente russo observou que uso de armas desse tipo "pode aumentar a velocidade de concretização dos seus objetivos durante a operação militar", mas que "a saúde dos militares russos é mais importante".

"É possível aumentar a velocidade de resolução dos problemas que enfrentamos? É possível, mas é diretamente proporcional às perdas. E, compreendendo a minha responsabilidade, continuo partindo do que propõem o Estado-Maior e o Ministério da Defesa: a velocidade é importante, mas ainda mais importante é a preocupação com a vida e a saúde dos nossos homens que lutam na linha de frente", disse.

Sobre a escalada de discursos envolvendo o possível uso de armas nucleares diante da confrontação entre a Rússia e o Ocidente, Putin ressaltou que o país "nunca iniciou esta retórica".

Putin lembrou que anteriormente a Rússia não apenas assinou, mas também ratificou o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares. "[Já] os americanos assinaram, mas não ratificaram. Portanto, nas condições de hoje, retiramos a nossa ratificação", completou.

Ele também enfatizou que as armas nucleares são usadas em casos excepcionais e que a Rússia hoje é capaz de realizar testes, mas até agora não existe tal necessidade. Ao mesmo tempo, o chefe de Estado não descartou a possibilidade de mudança da doutrina nuclear do país.

"Esta doutrina é um instrumento vivo, e estamos observando de perto o que se passa no mundo, à nossa volta, e não descartamos fazer algumas mudanças", afirmou. "Temos uma doutrina nuclear e está tudo escrito (…) A utilização é possível em casos excepcionais, em caso de ameaça à soberania e à integridade territorial do país. Eu considero tal caso surgiu e não existe tal necessidade", disse o presidente.

Editado por: Lucas Estanislau

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