MEIO AMBIENTE

Servidores ambientais do Paraná iniciam greve por reestruturação na carreira

Mobilização busca igualdade salarial e melhores condições de trabalho após seis meses de negociações frustradas

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Desidratação de poder fiscalizador de órgãos como Ibama está entre destaques da agenda de Salles
Desidratação de poder fiscalizador de órgãos como Ibama está entre destaques da agenda de Salles | Crédito: Ibama/divulgação

Os servidores ambientais do Paraná ligados ao meio ambiente iniciaram, nesta segunda-feira (01), uma greve que abrange 21 unidades da federação. A decisão veio após meses de tentativas frustradas de negociação com o governo federal, que não demonstrou disposição para o diálogo. A principal reivindicação da categoria é a reestruturação das carreiras, posicionando os servidores ambientais de forma mais equitativa em relação a outros setores.

Érico Emed Kauano, servidor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e integrante do comando de greve no Paraná, relatou que a paralisação é resultado de mais de seis meses de negociações infrutíferas com o governo federal, que encerrou unilateralmente a mesa de negociação.

“Nós esperávamos uma postura diferente do governo, ficamos surpresos e desapontados, porque somos uma das categorias que mais sofreu assédio no governo anterior. Tivemos diversas perseguições e tentaram acabar com o Ibama”, conta Érico.

Na última proposta apresentada pelo governo, sugeriu-se a redução do salário inicial dos novos servidores e a manutenção das desigualdades salariais entre os níveis médio e superior. 

“O Ministério da Gestão e Inovação (MGI) apresentou uma proposta sem considerar a nossa. Cometeram um erro e o salário inicial ficava menor que o atual, para se ter uma ideia do tamanho do absurdo e descaso que o governo tem com os servidores ambientais”, diz.

A categoria elaborou uma contraproposta para o MGI, que sequer foi analisada. “Praticamente o governo falou que já havia apresentado a sua última proposta e não haveria mais negociação”, afirma.

“Nós conseguimos diminuir o desmatamento que vinha crescendo ano após ano e trouxemos muitos resultados para o governo, que inclusive usa esses números como propaganda”, afirma Érico. “A pauta internacional do governo é a proteção do meio ambiente e achamos que é uma contradição afirmar isso e não melhorar as condições de trabalho dos servidores”.

Reivindicações

A principal reivindicação da categoria é uma reestruturação da carreira que reposicione esses servidores de forma mais equitativa em relação a outras carreiras com atribuições de níveis de complexidade e responsabilidade semelhantes.

A equiparação salarial com as carreiras de nível superior da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que no passado fazia parte do Ibama, é uma das demandas centrais. Após a separação, os servidores da ANA têm salário inicial maior que o final da carreira de especialista em meio ambiente.

Além disso, os servidores defendem uma parametrização salarial das carreiras de nível técnico e superior, bem como a diminuição da disparidade salarial entre cargos da mesma carreira.

Reivindicam também a criação da gratificação de atividade de risco e a incorporação dos servidores ambientais na Lei de Fronteiras, que já prevê indenizações para atuação em áreas estratégicas, como acontece com carreiras do Ministério da Agricultura, Receita Federal e polícias.

Editado por: Lucas Botelho

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