O programa educacional Jovem de Expressão será homenageado na Câmara dos Deputados. O trabalho de educação popular e cultura realizado por jovens da Ceilândia é uma dos mais importantes projetos sociais do Distrito Federal. A cerimônia ocorrerá no Plenário Ulysses Guimarães do Congresso na próxima segunda-feira (12), a partir das 11h.
A iniciativa foi proposta pelo deputado federal Reginaldo Veras (PV) para celebrar os 17 anos do projeto, que tem como foco a transformação social e o fortalecimento da diversidade cultural entre jovens de áreas periféricas do DF.
O coletivo é também considerado como um ponto de evolução da cultura local por funcionar no espaço de uma antiga delegacia de polícia abandonada. O estabelecimento que foi revitalizado pelos voluntários para se tornar um centro de atividades culturais e educacionais.
Segundo os organizadores, atualmente as atividades do programa são realizadas em um espaço de 116 metros quadrados que abriga uma sala de dança, um teatro de bolso, um estúdio audiovisual, a galeria de arte Risofloras, além de um espaço para palestras, aulas e diversas outras atividades que promovem a saúde mental e corporal da população, transformando realidades por meio do uso saudável do espaço público.
O projeto
Rayane Soares, coordenadora do programa, destaca que "em quase duas décadas, oferecemos gratuitamente a milhares de jovens acesso à cultura, educação, tecnologia, lazer e arte. Estamos extremamente felizes com este reconhecimento e somos gratos aos nossos parceiros que compartilham a crença de que é possível realizar sonhos".
O programa concentra suas ações em quatro principais eixos: educação, cultura, empreendedorismo e promoção da saúde mental. Além disso, organiza eventos culturais, shows, exposições de artes visuais, editais de apoio e ocupação, oficinas, cursos pré-vestibular, cursos de idiomas, palestras, rodas de conversa, terapia comunitária, rede de apoio e diversas ações assistenciais.
“Na área da cultura, estamos focados na formação cinematográfica, oferecendo diversas oficinas voltadas para a produção de filmes. Os alunos têm a oportunidade de participar de aulas teóricas e, em seguida, colocar em prática o material produzido. Na próxima semana, teremos o Festival Cine de Expressão, onde serão apresentados os filmes realizados pelos jovens”, explica Rayane.
No eixo da educação, o pré-vestibular comunitário existe há oito anos, “através do qual já conseguimos ajudar mais de cem alunos a ingressarem na universidade. Estamos alcançando o primeiro ciclo de jovens que estão se formando na UnB, tendo iniciado seus estudos através do nosso pré-vestibular”.
Na área da saúde mental, “além da atividade "Fala Jovem", que é uma roda de terapia comunitária desenvolvida nas oficinas, temos plantões psicológicos que ocorrem às quartas-feiras, onde psicólogos atendem a comunidade de forma individual”. Há também o projeto LECRIA, que, em parceria com a iniciativa Potência Feminina, oferece formação na área do empreendedorismo.

Local utilizado pelo projeto tem 116 metros e é um antigo posto policial abandonado / Divulgação
O reconhecimento e expectativas
O reconhecimento do trabalho comunitário do Jovem de Expressão é um fundamental para consolidar o projeto que eventualmente passa por dificuldades e obstáculos de grupos ou pessoas interessadas em desmobilizar a iniciativa.
Em 2021, problemas de ordem burocrática da administração de Ceilândia tentaram forçar a remoção do projeto de local conquistado. Rayane explica que “é um projeto que acontece na Praça do Cidadão, mas o espaço que ocupamos não é oficializado. Apesar de estarmos neste local há algum tempo, estamos vulneráveis em relação à documentação. Como este é um espaço público, houve tentativas da administração de nos remover para colocar outras coisas no lugar. Ficamos sem muito o que fazer devido à falta dessa documentação”.
Ela também acrescenta que essa tentativa de cancelar o projeto foi almejada no período da pandemia, momento em que as atividades educacionais estavam presencialmente interrompidas, mas que cuja a sede continuava funcionando para atender serviços de ajuda comunitária.
Após essa tentativa de remoção, houve uma mobilização dos próprios jovens que frequentam o espaço para manter o projeto aqui. Durante a pandemia, o projeto foi acusado de não estar funcionando, mas, na verdade, estávamos fechados para atividades regulares e servindo como ponto de distribuição de cestas básicas para outros coletivos e jovens, especialmente na área cultural. Não estávamos recebendo pessoas, mas estávamos realizando esse trabalho com a comunidade. Essa questão da documentação nos deixa vulneráveis, e estamos em processo de tentar conseguir a concessão de uso, mas até agora não foi concretizada.
Em 2023, o Instituto Brasileiro de Museus reconheceu a entidade cultural Jovem de Expressão (JEX) como Ponto de Memória. O certificado comprova que o projeto desenvolve ações pautadas no vínculo com a comunidade e seu território que contribuem para a valorização da memória social brasileira.
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