justiça e reparação

Série de podcast amplia vozes de mães que perderam filhos para a violência policial

Primeira temporada está dividida em 3 episódios com as histórias de Maria Dalva, Ana Paula Oliveira e Mônica Cunha

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Ana Paula de Oliveira, mãe de Johnatha de Oliveira, morto em Manguinhos em 2014 | Crédito: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A luta por justiça, memória e reparação de mães que perderam seus filhos para a violência do estado do Rio é o tema da série de podcast “Eu Só Preciso Que Alguém Me Ouça”. A produção narrativa mergulha em questões sociais urgentes e dá visibilidade às vozes silenciadas pela violência urbana.

A primeira temporada conta com três episódios e começa com a história de Maria Dalva da Silva, mãe de Thiago da Costa Correia da Silva, 19, morto na chacina da favela do Borel, em 2003, pela Polícia Militar. Após o assassinato do filho, Dalva fundou o movimento “Posso Me Identificar?” que se desdobrou na Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência.

A série tem como base a dissertação de mestrado da jornalista e pesquisadora Viviane Nascimento, defendida no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGDT/UFRRJ).

Segundo ela, a inspiração para o podcast veio do apelo de uma mãe que perdeu seu filho para a brutalidade policial em uma favela da zona norte do Rio de Janeiro. Seu pedido — que a história de seu filho e sua luta por justiça não sejam esquecidas — é o ponto de partida para uma reflexão profunda sobre os impactos da violência de estado.

“Trabalhei com esse tema da luta das mães por justiça, memória e reparação na minha pesquisa de mestrado, no Programa de Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas da UFRRJ. Entendo que esse é um tema que precisa ser debatido em todos os espaços. Para o acadêmico, apresentei minha contribuição com a dissertação. Mas uma conversa com uma das mães trouxe a ideia do podcast. Ela me procurou como jornalista pedindo que fizesse uma matéria sobre a morte do filho dela, morto havia dois anos na época, cujo caso estava parado. Ela entendeu que sem pressão da mídia, os processos não andam. E disse me disse que precisava ser ouvida”, explicou ao Brasil de Fato. 

A primeira temporada conta com três episódios que retratam as histórias de Maria Dalva; Ana Paula Oliveira, que há anos enfrenta uma batalha judicial intensa para a condenação do policial que assassinou seu filho Johnatha; e Mônica Cunha, que exerceu um mandato de vereadora na cidade do Rio de Janeiro e é mãe de Rafael, jovem morto pela polícia. 

A série “Eu Só Preciso Que Alguém Me Ouça” é uma produção da ONG CRIAR Brasil com o apoio do escritório do Rio de Janeiro da Fundação Heinrich Boll Brasil e está disponível nas principais plataformas de áudio.

 

Editado por: Jaqueline Deister

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