AGORA VAI

Conferência de Meio Ambiente de Pernambuco é concluída com votação online; confira o resultado

Após impasse no dia 14 de março, conferência foi suspensa sem cumprir objetivos; uma comissão elaborou novo regimento

No audio source provided.
A 5ª Conferência de Meio Ambiente de Pernambuco não elegeu delegados e nem propostas prioritárias | Crédito: Reprodução da TV Pernambuco

Nesta quinta-feira (27), a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas) comemorou a conclusão da Conferência Estadual de Meio Ambiente, que precisou de votação online para definir as propostas prioritárias e os delegados eleitos para representar o estado na conferência nacional, a ser realizada de 6 a 9 de maio, em Brasília (DF). A conclusão acontece duas semanas após o início da conferência, que acabou interrompida sem cumprir com os objetivos devido a um protesto.

No dia 14 de março, a ausência de clareza sobre o processo de eleição de delegados e a negação sobre os pedidos de leitura e aprovação do regimento foram a cereja do bolo de uma insatisfação que já existia por uma alegada falta de estrutura adequada para a realização do evento. O impasse levou a Semas a encerrar o evento sem eleger delegados ou propostas prioritárias, culpando “um pequeno grupo que discordou, de forma truculenta, da estrutura e da organização da conferência”.

Entenda: Em Pernambuco, conferência de Meio Ambiente é encerrada sem eleger delegados ou propostas

Na última segunda-feira (24), a comissão organizadora realizou uma chamada de vídeo na plataforma Zoom para a leitura conjunta de um regimento complementar que resolvesse as pendências apontadas dez dias antes. O texto recebeu comentários e complementos mesmo de participantes sem direito a voto. As salas dos grupos temáticos foram retomadas também de maneira online, para debate e escolha das propostas prioritárias em cada eixo.

Segundo informou a secretaria à imprensa, 399 (84,7%) dos delegados aptos participaram da votação virtual, enquanto 72 (15,3%) não participaram. Eles tiveram um período de 24 horas para realizarem a votação online, entre as 20h da terça-feira (24) e as 20h da quarta-feira (26).

Você encontra neste link (clique aqui) os nomes dos 50 delegados – divididos entre sociedade civil (20), povos tradicionais e indígenas (5), setor privado (15) e poderes públicos estadual e federal (5) e municipais (5) – que representarão Pernambuco na Conferência Nacional de Meio Ambiente. Os nomes dos 50 suplentes ficam nesta outra lista (clique aqui). A eleição deve garantir um mínimo de 50% de mulheres e 50% de pessoas negras entre os eleitos, segundo norma estabelecida pelo Ministério do Meio Ambiente.

Assista: Pesquisador pernambucano alerta para ausência de adaptação climática nos planos diretores do estado e risco de ‘viver eternamente em emergência’

Foram 20 as propostas prioritárias (leia aqui) escolhidas pelos ambientalistas de Pernambuco entre as 400 que chegaram das conferências municipais organizadas pelas prefeituras e das oito conferências livres realizadas pela sociedade civil pernambucana. As propostas foram escolhidas obedecendo a divisão de quatro recomendações por cada eixo temático, nas áreas de mitigação, adaptação e preparação para desastres, justiça climática, transformação ecológica, governança e educação.

As principais propostas em cada um dos cinco eixos

O item mais votado da Conferência de Meio Ambiente de Pernambuco recebeu 100 votos. É uma proposta na área de adaptação e preparação para desastres. O texto recomenda que o Governo de Pernambuco promova a revitalização e renaturalização de rios e bacias fluviais, incluindo a dragagem, o desassoreamento periódico, retome as condições de navegabilidade, recupere a mata ciliar, refloreste e rearborize, implemente soluções de engenharia sustentáveis e aumente a fiscalização e o monitoramento – com participação social.

No eixo de justiça climática, as delegadas e delegados tiraram como principal prioridade, com 84 votos, a criação de um Fundo Estadual de Compensação Climática, que seja abastecido com impostos pagos por grandes empreendimentos. Os recursos devem ser usados para financiar e gerir projetos de adaptação climática e apoio direto a comunidades impactadas por eventos extremos.

Leia também: Defesa Civil aponta 206 mil recifenses vivendo em 21 áreas de alto risco; saiba quais são

Agricultores e indígenas conseguem paralisar complexo eólico em Pernambuco

No Sertão pernambucano, indústria do gesso cava sua própria cova com devastação da Caatinga

Com 75 votos, no tópico de mitigação a prioridade foi incluir no Plano Diretor projetos de arborização em bairros periféricos e áreas de morros, a preservação de florestas remanescentes e manguezais, a proteção das áreas de Mata Atlântica, a contratação de estudos para a conservação de áreas verdes e cursos d’água e a substituição de pastagens degradadas por gramas fixadoras de carbono.

Na área de governança e educação ambiental, a proposta mais votada, com apoio de 66 delegados, pede o desenvolvimento e implementação de Planos de Educação Ambiental, de forma participativa e estruturada, com foco em cada município, com ações permanentes para escolas, comunidades e setores produtivos, envolvendo professores, grupos culturais, associações comunitárias e entidades religiosas.

E por fim, no eixo de transformação ecológica, 55 pernambucanos priorizaram o incentivo para que o óleo de cozinha usado pelos comerciantes seja repassado para grupos comunitários que transformem o produto em sabão, garantindo também a geração de renda. Para ler as 20 propostas priorizadas pelos pernambucanos, clique aqui.

Leia também: Defender o meio ambiente é defender o nosso direito a um futuro

O clima mudou e a política também precisa mudar

Aprovada no Senado, política para recuperação do bioma Caatinga segue para a Câmara

Editado por: Vinicius Sobreira

|

Newsletter