Extinção do império?

Hegemonia dos EUA não está próxima do fim, diz analista Giorgio Shutte

Giorgio Schutte indica que Trump busca retomar política de Reagan para garantir hegemonia dos EUA

No audio source provided.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, faz um discurso na Cúpula do Diálogo de Shangri-La em Cingapura, em 31 de maio de 2025 | Crédito: Mohd Rasfan / AFP

“A gente nunca deve subestimar a capacidade de resiliência do capitalismo estadunidense”, alertou o analista Giorgio Schutte, coordenador do Observatório de Política Externa Brasileira (Opeb) da UFABC. Em análise nesta quarta-feira (4) transmitida pela Alba Movimientos, Schutte colocou em perspectiva as análises sobre o declínio do império estadunidense e afirmou que não há como afirmar que este seja o atual cenário.

Ele lembrou que o mesmo diagnóstico foi feito em 1979, quando o mundo presenciou as revoluções no Irã e na Nicarágua, e o crescimento exponencial da economia japonesa. Eleito naquele contexto, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, criou o slogan Make America Great Again (Maga) e anunciou que iria negociar no cenário internacional a partir de uma posição de força. Reagan implantou o que Schutte classifica como uma hegemonia 2.0 dos EUA e Trump adota as mesmas políticas em busca de uma hegemonia 3.0.

“No século 21, as guerras no Iraque e no Afeganistão e sobretudo a crise financeira de 2008 representaram o fim da hegemonia 2.0. Foi nesse momento que surge a cúpula do G20 e o Brics” explica Schutte. A busca por uma hegemonia 3.0 teria começado ainda durante a gestão do democrata Barack Obama e continuou durante o governo de Joe Biden.

“Biden tinha um projeto de começo, meio e fim. Mas não tinha liderança nem no próprio partido e não tinha capacidade para enquadrar os interesses e as forças neoliberais. Trump é mais preparado e mais agressivo. É um consenso na sociedade dos EUA eles querem permanecer na liderança global e para isso é essencial impedir o crescimento da China, o debate é sobre como fazer isso.”

O posicionamento de enfrentamento da China foi explicitado pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em uma fala no Shangri-La Dialogue de Singapura, o maior fórum sobre segurança e defesa do continente na última semana. “A ameaça que a China apresenta é real e pode ser iminente”, assegurou Hegseth.

O orçamento em Defesa dos EUA para 2026, anunciado por Hegseth, chegará pela primeira vez a US$ 1 trilhão (R$ 5,6 tri) e prevê, entre outros projetos, o Golden Dome, escudo aéreo contra mísseis, semelhante ao utilizado hoje por Israel.

“O secretário de Defesa dos EUA deixou claro que o objetivo é ser um líder mundial para as próximas gerações e para isso precisa expulsar a China de áreas estratégicas da América Latina. O objetivo é reforçar sua presença militar, reforçar suas alianças e parcerias no Indopacífico.”

Editado por: Leandro Melito

|

Newsletter