ROCK GAÚCHO

Cristiane Marçal e Jimi Joe lançam o livro ‘Esta não era pra tocar no rádio’ em Porto Alegre

Ocidente Acústico recebe evento com shows de Nelson Coelho de Castro, Nei Lisboa, Wander Wildner e Replicante Apaixonado

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Jimi Joe é músico e radialista, atuante na cena musical gaúcha. Cristiane Marçal é jornalista, pesquisadora e escritora, com ampla experiência em comunicação e cultura | Crédito: Imagem: Divulgação

A jornalista, pesquisadora e escritora Cristiane Marçal e o jornalista, músico, compositor e radialista Jimi Joe lançam o livro Esta não era pra tocar no rádio. A obra conta a trajetória da Continental AM e da Ipanema FM, duas rádios que, em épocas diferentes, revolucionaram a cena musical de Porto Alegre (RS). Através de histórias, entrevistas e registros históricos, os autores revelam como essas emissoras desafiaram as regras e influenciaram gerações de músicos e ouvintes.

O evento de lançamento será nesta quinta-feira (3), no projeto Ocidente Acústico, no bairro Bom Fim da capital gaúcha. A celebração contará também com pocket show de artistas que foram ouvintes e que tiveram as primeiras músicas lançadas pelas emissoras, como Nelson Coelho de Castro, Nei Lisboa, Wander Wildner e Replicante Apaixonado — projeto de Carlos Gerbase, um dos fundadores da banda Os Replicantes.

A noite lítero-musical ainda terá Mauro Borba como mestre de cerimônias e Jimi Joe no “som mecânico”. As atividades começam às 21h e os ingressos podem ser adquiridos aqui.

Essa não era pra tocar no rádio

Capa do livro ‘Esta não era pra tocar no rádio – a revolução não televisionada das rádios Continental 1120 e Ipanema FM’ / Imagem: Divulgação

As rádios Continental 1120 e Ipanema FM foram co-responsáveis pela formação musical e cultural de diferentes gerações entre ouvintes, artistas, jornalistas culturais e outros formadores de opinião de Porto Alegre. A programação disruptiva desses veículos projetou a música local num período em que as bandas tinham pouca ou nenhuma condição de registrar os trabalhos.

A Continental 1120, na década de 1970, foi pioneira no lançamento e divulgação desses grupos. Como a tecnologia de gravação e reprodução de áudio ainda era muito limitada e cara, a rádio disponibilizava um estúdio de locução, durante a madrugada, para que as bandas pudessem registrar as composições. Com apenas um microfone e um gravador ampex de dois canais, a música precisava ser gravada de uma vez só, o que fazia com que a banda ficasse horas dentro do estúdio para alcançar o resultado esperado.

A Ipanema FM cumpriu um papel semelhante ao da Continental AM 1120 no contexto musical porto-alegrense a partir dos anos 1980. Num período em que grande parte das rádios funcionavam pelo modelo Top 40 (em que a programação é formada quase que inteiramente por 40 músicas selecionadas por relevância ou por jabá de gravadoras), a Ipanema FM tinha flexibilidade total na programação, rodando vinis de rock internacional, gravações demo deixadas diretamente pelos músicos locais e até convidando artistas que estavam tocando na rua para tocar ao vivo na rádio.

Num período pré-internet e com a ascensão dos modelos de negócios das gravadoras, que determinavam a programação da maioria das rádios, a Continental 1120 e a Ipanema FM ofereceram ao público uma rara oferta de diversidade musical. Elas privilegiaram artistas independentes e fomentaram o mercado cultural de Porto Alegre, contribuindo para a construção da identidade cultural da cidade. “Essa não era pra tocar no rádio – a revolução não televisionada das Rádios Continental 1120 e Ipanema FM”, traz histórias e depoimentos em primeira pessoa de quem viveu e ajudou a construir esse legado da cultura porto-alegrense.

A obra é feita com financiamento do Fumproarte, tem 208 páginas e está sendo lançada pela Brasa Editora.

Serviço

Esta Não Era Pra Tocar No Rádio’ – Lançamento do livro de Cristiane Marçal e Jimi Joe

Pocket show de Nelson Coelho de Castro, Wander Wildner, Nei Lisboa e Replicante Apaixonado

Data: 3 de julho (quinta-feira)

Horário: 21h

Local: Bar Ocidente: Av. Osvaldo Aranha, 960 – Porto Alegre (RS)

Ingressos aqui: R$ 70,00 (inteira); R$ 35,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (ingresso solidário)

Editado por: Marcelo Ferreira

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