LER É PRECISO

Clube de Leitura contra a Desinformação promove encontros em bibliotecas comunitárias da capital gaúcha

Com encontros mensais entre julho e novembro, os participantes receberão gratuitamente todos os livros

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Biblioteca Comunitária | Crédito: Foto: Fabiana Reinholz

A partir do próximo sábado (5) estarão abertas as inscrições para o Clube de Leitura contra a Desinformação, uma iniciativa gratuita que vai movimentar bibliotecas comunitárias em cinco bairros de Porto Alegre. Promovido pelo Instituto E Se Fosse Você?, o projeto combina encontros literários, distribuição de livros e uma programação voltada ao público infantil, com o objetivo de combater as fake news por meio da leitura crítica e do fortalecimento da cultura local.

Idealizado por Manuela D’Ávila, presidenta do instituto e responsável por mais de dez edições de clubes de leitura virtuais, o novo projeto leva a proposta para dentro dos bairros. “Temos uma experiência de várias edições com o clube virtual e agora será a primeira vez que as pessoas de Porto Alegre poderão participar no seu território. Vai ser um espaço para ler, trocar ideias, se informar e construir uma comunidade. É a leitura como ferramenta de formação crítica e combate às informações falsas. Vamos fazer da leitura um ato cada vez mais potente”, afirma D’Ávila ao Brasil de Fato

O clube contará com encontros mensais entre os meses de julho e novembro, com a leitura de uma obra diferente a cada mês. Os participantes receberão gratuitamente todos os livros e, ao fim do ciclo, terão a oportunidade de conversar com um dos autores lidos. Paralelamente, será realizado o “Clubinho”, com atividades voltadas às crianças, permitindo que mães, pais, avós e cuidadores participem plenamente da programação.

A curadoria das obras foi feita pela livreira Nanni Rios, que selecionou títulos exclusivamente de autoras, autores e editoras gaúchas. “Nosso objetivo é valorizar quem produz cultura aqui e também apoiar economicamente um setor que sofreu demais com as enchentes no último ano. É um gesto de cuidado com a nossa literatura e com o nosso Estado”, explica Nanni.

A proposta nasce de dados que revelam tanto o potencial transformador da leitura quanto os desafios enfrentados pelas mulheres. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 59% das mulheres leem com frequência, frente a 52% dos homens. Ao mesmo tempo, estudos da Oxfam mostram que as mulheres realizam 75% do trabalho de cuidado não remunerado no país. “Ler é um ato de resistência e autonomia. Quem lê compreende melhor o mundo e está mais protegida das armadilhas da desinformação”, reforça D’Ávila.

Programação por bairro

O Clube de Leitura será realizado nas seguintes bibliotecas comunitárias:

Sarandi (zona norte) – Biblioteca Girassol – Sábados, 10h

Lomba do Pinheiro (zona leste) – Biblioteca Arvoredo – Quintas, 14h

Centro Histórico – Espaço Cirandar – Sábados, 14h

Cavalhada (zona sul) – Biblioteca Carolina Maria de Jesus – Quartas, 18h

Ilha da Pintada – Biblioteca Marginal Ilha do Saber – Terças, 19h

As atividades seguem um cronograma quinzenal, com temas mensais que dialogam com pautas identitárias, regionais e sociais. Entre os destaques da programação estão os livros:

Julho – Julho das Pretas
Adulto: Uma chance de continuarmos assim (Diadorim), de Taiasmin Ohnmacht
Infantil: É o tambor de crioula! (Projeto), de Sônia Rosa

Agosto – Visibilidade Lésbica
Adulto: Amora (Dublinense), de Natalia Borges Polesso
Infantil: Foi um péssimo dia (Dubli), também de Natalia Borges Polesso

Setembro – Regionalismo
Adulto: Mugido (Coragem), de Marília Kosby
Infantil: A lanceirinha (Libretos), de Ângela Xavier

Outubro – Mães Atípicas/Parentalidade
Adulto: A mulher de dois esqueletos (Dubli), de Julia Dantas
Infantil: Mamamóvel (L&PM)

Novembro – Consciência Negra
Adulto: A manipulação das ostras (Zouk), de Luiz Maurício Azevedo
Infantil: Menina de tranças (Taverna), de Lilian Rocha

O projeto conta com apoio do Ministério da Cultura, por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS). E, de acordo com a organização, tem como objetivo aproximar a literatura do cotidiano das comunidades, valorizando a produção local e oferecendo instrumentos para a leitura crítica do mundo.

Editado por: Katia Marko

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