O novo plano operacional de transporte público por ônibus da Prefeitura do Rio vai reduzir em 20% o total de viagens na cidade. A Secretaria Municipal de Transporte (SMTR) comunicou o corte de subsídio para as empresas se adequarem a partir desta quarta-feira (16).
Rodoviários consultados pela reportagem afirmam que os passageiros vão esperar mais tempo nos pontos de ônibus e enfrentar lotação, principalmente nos horários de pico. Segundo essa avaliação, o impacto será ainda maior na volta das férias escolares.
Com a nova medida da prefeitura, algumas linhas vão perder mais de 70 viagens por dia. É o caso, por exemplo, das linhas 315 (Central x Recreio dos Bandeirantes) e 629 (Irajá x Saes Peña) que serão reduzidas em 73 viagens cada uma.
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Outras linhas que chamam atenção são a 774 (Madureira x Jardim América) que vai perder 64 viagens; a 712 (Cascadura x Irajá) com menos 62 por dia; e a 862 (Rio das Pedras x Barra da Tijuca) que vai ter uma redução de 54 viagens de ida e volta.
Os dados foram obtidos pelo Brasil de Fato a partir de uma planilha que SMTR enviou para as empresas de ônibus. Em maior ou menor escala, praticamente todas as linhas serão reduzidas.
O sindicato Rio Ônibus, que representa 36 empresas operadoras do transporte, afirmou em nota que “os consórcios seguem as determinações da SMTR, que é responsável por todo o planejamento operacional dos ônibus da cidade”.
Colapso no transporte
Atualmente, a cidade do Rio tem 4 mil ônibus em circulação, e cerca de 18 mil rodoviários. No entanto, o especialista em mobilidade urbana Licinio Machado Rogério avalia que o novo plano da prefeitura pode motivar demissões no setor.
“O plano operacional é publicado todo mês [pela prefeitura] com ajustes de linhas. Só que dessa vez teve uma redução de 20% das viagens, correspondendo a 18,5% da quilometragem total rodada. Com essa redução, o faturamento [das empresas de ônibus] vai reduzir em 18%. É uma pancada no caixa, várias empresas estão comprando ônibus novos”, afirma o engenheiro Licinio M. Rogério, tendo em vista o acordo firmado em abril entre SMTR, Rio Ônibus e Ministério Público (MPRJ).
Ao Brasil de Fato, o coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro ressaltou que a medida vai impactar toda a cidade, visto que o itinerário dos ônibus não têm substituto. Sobre a mudança, ele lembra que o Conselho Municipal de Transportes não foi ouvido.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Transporte (SMTR), por meio da assessoria de imprensa, com uma série de questionamento sobre os critérios adotados no novo plano das linhas de ônibus e a motivação para o corte de subsídio. O texto será atualizado se houver retorno.
O que diz a SMTR
Em nota enviada à reportagem, a SMTR afirma que passou a acompanhar com maior detalhamento a oferta e a demanda de cada linha, por horário e sentido, a partir de dados de GPS e registro de embarque de passageiros.
Com base nessas informações, segundo a Prefeitura do Rio, foi possível identificar situações de desequilíbrio entre a quantidade de ônibus ofertada e a demanda real de passageiros. O novo plano seria um ajuste para “aumentar a eficiência do sistema e reduzir os custos com a operação ociosa”.
“As alterações ocorrem, prioritariamente, nos horários de entrepico e em linhas onde foi constatado excesso de oferta. Ressalta-se que, desde junho de 2022, a Prefeitura passou a custear, com recursos públicos, subsídios aos consórcios operadores do sistema — e a boa gestão desses recursos é fundamental para viabilizar investimentos em outras áreas prioritárias da cidade. Cabe esclarecer ainda que o plano operacional do serviço de ônibus é atualizado quinzenalmente. A SMTR seguirá monitorando a demanda de passageiros para realizar os ajustes no plano em caso de necessidade”, diz o texto.
*Atualizado no dia 16 de julho às 8h20 com a nota da Prefeitura do Rio