Mobilidade

‘Zerar emissões no transporte público é investir na saúde da população’, defende diretor do Instituto Pólis

Plano da Prefeitura prevê 2.200 novos veículos elétricos até 2028, mas meta está distante de ser cumprida

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Representando cerca de 6,3% da frota total, o número de ônibus elétricos na cidade de São Paulo ainda está distante do ideal proposto pelo Plano de Metas da Prefeitura, que prevê a substituição de 2.200 ônibus movidos a diesel por veículos de matriz energética limpa até 2028. Para Rodrigo Iacovini, diretor-executivo do Instituto Pólis, o não cumprimento da meta impacta diretamente a saúde da população. “Uma das principais fontes de poluição que a gente respira vem da frota de veículos, desde carros até os ônibus que a prefeitura permite que as concessionárias usem na circulação”, afirma.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta terça-feira (19), Iacovini, afirmou que equação entre mobilidade, política de mobilidade e saúde é um dos caminhos para a melhora da qualidade de vida na Grande São Paulo. “Sabemos que a medida certa é investir em transporte público, investir em transporte que tenha zero emissões de gases do efeito estufa, por conta da crise climática e também porque é um investimento na saúde da população. Porque até economicamente é uma decisão questionável, uma vez que o município acaba tendo que gastar com as pessoas que eles atendem também no sistema de saúde“, defendeu.

“A prefeitura deveria fazer com que a frota se renovasse para que a população não tivesse um ar tão ruim e, com isso, não tivesse problema de respiração, como rinite ou bronquite. Em alguns casos, [evitaria] ter que correr com o filho para o pronto-socorro no meio da noite porque não está conseguindo respirar.”

O diretor-executivo cita dados do Hospital do Coração (HCor), que mostram crescimento no atendimento por doenças respiratórias entre 30% e 40% no inverno, além de estudos da Universidade de São Paulo (USP) que indicam que, em dias de poluição intensa, o risco de morte por doenças respiratórias pode subir em até 12%. “Sabemos que é complicado mudar as escolhas particulares, falar: ‘você, indivíduo, precisa comprar um carro novo’. Mas a prefeitura tem condições de, pelo menos, fazer com que as concessionárias e os ônibus que estão em circulação sejam novos e adequados, que não emitam gases de efeito estufa, por exemplo, nem partículas que causam essas doenças respiratórias.”

A desigualdade na escolha das localidades que recebem os novos ônibus da frota elétrica também é um desafio a ser combatido, na visão de Iacovini. A Zona Leste de São Paulo é a região com a maior concentração de ônibus antigos, uma geografia “que acaba concentrando a desigualdade e as doenças respiratórias”, diz.

“A gente precisa cobrar do poder público. Cobrar uma política que seja efetiva e que seja implementada, de fato. E não fazer como está sendo feito agora. Se as metas não são atingidas, elas são reduzidas, em vez de ampliadas. A população precisa, de fato, entrar nesse jogo e cobrar seus vereadores, cobrar o prefeito, todos que são responsáveis”, pontua o diretor.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Martina Medina

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