NOVAS SEMENTES

Fé, cultura e combate à intolerância marcam Festival Baobá Sagrado em São Leopoldo (RS)

A 1ª edição do festival 'O Baobá Sagrado da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS' foi realizado neste sábado (23)

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Evento no Ginásio Municipal Celso Morbach, em São Leopoldo, com dança, arte, cultura, cortejo aos Orixás, apresentações artísticas, culinária de axé e feira afroempreendedora | Crédito: Foto: Gabriele Soares

A 1ª edição do festival “O Baobá Sagrado da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS”, evento cultural, de fé e resistência das religiões de matriz africana, ocorreu neste sábado (23), no Ginásio Municipal Celso Morbach, em São Leopoldo, com dança, arte, cultura, cortejo aos Orixás, apresentações artísticas, culinária de axé e feira afroempreendedora.  

Comenda Baobá Sagrado  

Foram entregues 13 comendas Baobá Sagrado às lideranças religiosas de matriz africana – Foto: Gabriele Soares

Durante o evento, foram entregues 13 comendas Baobá Sagrado às lideranças religiosas de matriz africana. Entre lideranças homenageadas, está a centenária Mãe Jovelina, com a casa mais antiga de São Leopoldo, criada em 20 de setembro de 1953, até a mais jovem liderança, Luana Dutra da Silva, de 19 anos. O Baobá é uma árvore símbolo das culturas africanas, considerada sagrada para as religiões de matriz africana.  

Um dos organizadores do evento, Pai Alexandre d’Ogum, ressalta que o objetivo do festival é “plantar realmente essa semente do Baobá para a eternidade, que a gente possa fazer dessa 1ª edição um marco histórico para as gerações futuras”.  

Segundo Pai Alexandre, esse foi um momento de apresentar para a comunidade leiga o que é verdadeiramente a religião de matriz africana com toda a sua cultura, sua arte, sua ancestralidade. “Muito bacana a gente ter uma multiplicidade de pessoas transitando vendo essa beleza que é multifacetada.” 

Com saudações aos Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Ciganos, Exus e Pombagiras, o evento contou com uma programação cultural completa entre apresentações de capoeiras, danças e músicas de axé.   

Saudações aos Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Ciganos, Exus e Pombagiras – Foto: Gabriele Soares

Combate à intolerância 

A presidenta do Conselho Municipal de Povos Tradicionais de Matriz Africana de São Leopoldo (Compotma), Mãe Sueli d’Oxum, destaca a importância deste evento ser sediado em São Leopoldo. “A gente vem sofrendo muita intolerância religiosa, então a gente tem feito vários eventos assim, para poder desmistificar, tirar essa questão da ignorância que as pessoas têm em relação a nós.” 

Para além de desmitificar preconceitos, a presidente do Compotma ressalta o trabalho social do evento, como a doação dos alimentos arrecadados para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a Apae de São Leopoldo, e também o fortalecimento da economia local com a feira dos afros-empreendedores. “Poder trabalhar as questões culturais, trazer os nossos artistas para se apresentar, tudo isso é evidenciar a cultura e trabalhar contra a intolerância, a gente só quer ser acolhido, assim como a gente acolhe.” 

Presente no festival, a deputada estadual Luciana Genro (Psol) comenta que o evento faz parte de uma luta pela conscientização da população sobre a importância das religiões de matriz africana na cultura do povo brasileiro. “Um evento como esse valoriza essa cultura, combate a intolerância, e precisa ser apoiado e valorizado.”  

Bandeira de combate a intolerância afro-religiosa  

Bandeira de combate a intolerância afro-religiosa foi lançada durante o festival – Foto: Gabriele Soares

Durante o festival, foi lançada a bandeira de combate a intolerância afro-religiosa. “Um marco histórico e significativo dentro da nossa religião de matriz africana. Ela fomenta justamente a ideia de nós dissiparmos o combate ao racismo religioso”, comenta Pai Daniel d’Xangô. 

“Nós enraizamos a bandeira para mostrar de uma vez por todas que somos resistentes e existimos, e não queremos apenas ser o melhor ou a maior religião, mas acima de tudo, queremos respeito.” 

Programação artística 

O samba de terreiro do Grupo Ague-ré homenageia a ancestralidade. Como destacou Ogan Thiago, o grupo relembra aqueles que “em meio à ditadura, tocaram, misturando elementos do Candomblé, das forças indígenas e da Umbanda na música para dentro da MPB, sendo a base para o que a gente chama de axé music”.  

O samba de terreiro do Grupo Ague-ré se apresentou no evento – Foto: Gabriele Soares

“A gente vive momentos muito difíceis para as matrizes africanas, dentro da questão do preconceito e das supremacias. A gente está nesse movimento e ser convidado para abrir a parte artística é uma honra”, salientou Thiago. Também saudou o encontro: “Tomara seja o primeiro de muitos, e que Olodumarê reverbere em energia e felicidade, união, conhecimento e sabedoria, se assim não for, eventos são só peças e não é esse o propósito, acho que são aberturas de portas, caminhos e novos pensamentos”.  

O evento foi uma realização do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros do RS (Ceucab/RS), Casa de Cultura Aruanda, Conselho Municipal de Povos Tradicionais de Matriz Africana (Compotma), com a parceria das secretarias municipais de Direitos Humanos (Sedhu), Cultura e Relações Internacionais (Secult) e Esporte e Lazer (Semel). 

Editado por: Katia Marko

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