O Sul Global, se tornou uma “força fundamental na manutenção da paz mundial, na promoção do desenvolvimento comum e no aprimoramento da governança global”, disse vice-ministro de Relações Exteriores Ma Zhaoxu nesta sexta-feira (29), ao Brasil de Fato, sobre o papel do Sul Global na atual conjuntura.
A chancelaria chinesa organizou uma segunda coletiva de imprensa para falar sobre as comemorações do 80º aniversário da vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial Antifascista.
Na anterior foram anunciados os participantes do próximo desfile militar do dia 3 de setembro, que contará com Dilma Rousseff e Celso Amorim. A data marca o dia seguinte, em 1945, à rendição assinada pelo Japão no navio de guerra dos Estados Unidos, USS Missouri, na Baía de Tóquio.
A fala de Ma Zhaoxu ocorre na mesma semana em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sugeriu voltar a mudar o nome do Departamento de Defesa para “Departamento de Guerra”. A mudança havia sido feita por Harry Truman em 1947, dois anos depois de finalizada a Segunda Guerra Mundial. “Queremos ser defensivos, mas também queremos ser ofensivos”, disse Trump à imprensa durante um evento na Casa Branca na segunda-feira (25).
A fala ocorre ainda em momento em que o governo Trump envia três navios militares para o sul do Caribe.
Este ano, Trump também iniciou uma campanha para que os países da Otan aumentem seus orçamentos militares para 5% do PIB.
Entre os objetivos das comemorações da data para a China está o da defesa de uma visão correta da história da Segunda Guerra Mundial, algo que também vem sendo constantemente defendido pela Rússia diante do crescente revisionismo ou negacionismo da importância da União Soviética na derrota do nazismo.
A coletiva de Ma Zhaoxu também teve como objetivo promover o conceito chinês “Comunidade de Futuro Compartilhado para a Humanidade”. A tradução de conceitos chineses nem sempre é simples, mas este – lançado no 18º Congresso do Partido Comunista da China em 2012 –, encerra a ideia de que o futuro da humanidade está interligado, e que a prosperidade não pode ser atingida por uma nação, porque os desafios econômicos e ecológicos, entre outros, cada vez mais afetam a todos.
Na resposta ao Brasil de Fato, Ma afirmou que a China visa continuar aprofundando a “confiança mútua estratégica (…) com os países do Sul Global [assim como] apoiando-os na exploração de caminhos de desenvolvimento adequados às suas condições nacionais”.
Nenhuma civilização é superior, diz representante do governo chinês
“As diferenças entre os seres humanos podem estar na cor da pele e no idioma, mas as civilizações não têm, de forma alguma, hierarquia ou superioridade”, disse o vice-ministro de Relações Exteriores.
O vice-chanceler respondia a uma pergunta sobre o ressurgimento da defesa de ideias como o “choque de civilizações” – promovida pelo cientista político estadunidense Samuel P. Huntington após a queda do muro de Berlim –, ou ideologias de “superioridade civilizacional”.
“A China está disposta a trabalhar com todos os países para defender uma visão de civilizações baseada na igualdade, na aprendizagem mútua, no diálogo e na inclusão” disse Ma Zhaoxu.
Ele afirmou que o país continuará propondo a implementação da Iniciativa de Civilização Global, lançada em 2023, que defende o respeito à diversidade de civilizações, um maior intercâmbio entre povos e o desenvolvimento de modernizações que não se baseiam na busca por hegemonia.
“Ao avançar na modernização, a China não trilhará o antigo caminho da colonização e da pilhagem”, disse Xi Jinping em uma reunião com partidos políticos de diversos países em 2023.