Neste sábado (30), acontece o encontro LGBTQIA+, Direitos Humanos e a Cidade, no Largo do Arouche, em São Paulo. O evento, em formato de consulta popular, será realizado das 14h às 17h e propõe reunir propostas sobre direitos humanos e políticas públicas a serem levadas para a Conferência Nacional, marcada para dezembro, em Brasília. A iniciativa marca também as celebrações do Dia da Visibilidade Lésbica, comemorado nesta sexta-feira (29).
“Em 1996, no primeiro Seminário Nacional de Mulheres Lésbicas em São Paulo, essas mulheres decidiram que nós devíamos ter um dia para nós, para comemorar o nosso orgulho, para comemorar o amor entre mulheres”, explica Alessandra Acedo, membro da organização da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo e do coletivo Visibilidade Lésbica, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo ela, a conferência é autogerida, sem apoio do estado ou da prefeitura. “O objetivo é fazer um estudo aprofundado sobre os direitos humanos e a cidade, levantar propostas. Vai ter um grande painel onde as pessoas vão poder colocar suas propostas para serem discutidas. E o final dela, como toda conferência, vamos tirar um delegado […] para representar as cidades de São Paulo em Brasília”, detalha. O evento também contará com atividades culturais e um “comidaço” coletivo na praça.
Inclusão nas cidades
Para Acedo, a participação popular e a visibilidade lésbica estão diretamente ligadas à criação de cidades mais acolhedoras. “Elas podem ser mais inclusivas quando têm espaços para acolher toda a população LGBT […] na saúde, na educação, na cultura, porque para termos uma cidade acolhedora, precisamos que a população LGBT se sinta acolhida em todos os âmbitos”, afirma.
Ela destaca que a violência ainda é um obstáculo central. “O Brasil é o país que mais mata travestis transexuais no mundo. A cada 24 horas, um LGBT é assassinado. Isso é um dado muito importante, muito triste. Para as cidades se tornarem acolhedoras, elas precisam respeitar as pessoas como nós, cidadãos, não de segunda classe, mas como qualquer cidadão que paga imposto e que tem o direito de viver livremente a sua orientação ou suas identidades de gênero”, defende.
Orgulho e visibilidade
Agosto é considerado o mês da visibilidade lésbica, que conta também com o Dia do Orgulho Lésbico, celebrado no dia 19, em memória ao levante no Ferro’s Bar, em São Paulo. “Uma importante ativista, Rosely Roth, que era antropóloga, escreveu um folhetim que chamava Chana com chana e, quando quis vender esse material dentro do bar, foi prontamente impedida […]. Ela organizou um grande levante, onde as lésbicas furaram essa barreira da segurança, subiu em cima de uma mesa, discursou. A partir daí, essa data foi escolhida como o dia do nosso orgulho”, relata Acedo.
Ela lembra ainda que o movimento lésbico se organiza para enfrentar a invisibilidade dentro da própria Parada do Orgulho LGBT+, que geralmente ocorre em junho. “Até hoje ouvimos falar a ‘Parada gay’, a Parada não é gay, a Parada é LGBT, a Parada contempla todas as letras. […] Nós, como movimento de lésbicas, pensamos que estávamos invisibilizadas dentro desse grande movimento. Então organizamos [a Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo] e virou uma emblemática. Vêm lésbicas do estado inteiro. Sempre acontece no sábado que antecede a Parada”, informa.
Serviço
Consulta Popular “LGBTQIA+, Direitos Humanos e a Cidade”
- Largo do Arouche (próximo à estação de metrô República – SP)
- Sábado (30)
- 14h às 17h
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.