O trabalho de pesquisa e reflexão realizado pelo professor João Paulo Reis Costa à época de seu mestrado, em 2012, vem à tona agora em formato de livro publicado pela editora da Universidade de Santa Cruz do Sul. O lançamento da obra acontece na próxima quarta-feira (3), conjuntamente com a celebração dos 17 anos da Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa) e 16 anos da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc).
A Pedagogia da Alternância como estratégia de desenvolvimento regional: A EFA de Santa Cruz do Sul conta com 305 páginas e deriva de uma dissertação que foi premiada nacionalmente pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 2013, dentro do grupo de Tecnologias Socioambientais com ênfase no combate à pobreza.
“É um trabalho documental em quatro capítulos, sobre a fundação da Agefa (2008), mantenedora da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul – Efasc (2009) e todo o processo de implementação dessa Escola Comunitária em Santa Cruz do Sul, até a formação da primeira turma, em 2011”, relata o autor.

“O trabalho passa por debates conceituais de educação do campo, pedagogia da alternância e desenvolvimento regional, tendo na educação o seu pilar principal para se pensar a região e sobretudo, a importância da agricultura familiar nessa discussão”, completa.
A apresentação é assinada pela geógrafa Virgína Elisabeta Etges, que orientou a dissertação que dá origem ao livro. O prefácio, por sua vez, é assinado por Sérgio Zamberlan, um dos principais nomes da pedagogia da alternância no Brasil. Ainda conta com textos intrudutório pelos atuais coordenadores da Efasc, Adair Pozzebon, Antonio Gomes e Cristina Vergutz, além do ex-presidente da Agefa Elton Hein e o do ex-presidente da União das EFAs do Brasil Antônio Baroni Rocha.
O lançamento será realizado na sede da Efasc, na quarta-feira (3), a partir das 18h30, na Linha Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul (RS). Além da cerimônia de lançamento da obra, a atividade prevê coquetel e mística. Os exemplares disponíveis estão sendo comercializados pelo valor de R$ 35,00 e podem ser solicitados através das redes sociais do próprio autor.
Pedagogia da alternância
A pedagogia da alternância foi desenvolvida na França a partir de meados da década de 1930 e chegou ao Brasil em 1960. Trata-se de um método de ensino-aprendizagem que intercala momentos de estudo na escola (tempo escola) com períodos de vivência e trabalho na comunidade e na família (tempo comunidade), focando na realidade do estudante do campo. O objetivo é integrar a formação teórica com a prática cotidiana, promover o desenvolvimento local e a permanência do jovem no campo, evitando o êxodo rural e o abandono escolar, através de instrumentos pedagógicos próprios.

Nomes referenciais citados acerca da pedagogia da alternância são o francês Jean-Claude Gimonet, que sistematizou os pressupostos da pedagogia, defendendo-a como uma “rede complexa de relações” envolvendo a comunidade, a formação integral do educando e a associação de pais; e o brasileiro Paolo Nosella, que documentou o surgimento da pedagogia no Brasil, analisando os desafios e a adaptação do método às Escolas da Família Agrícola (EFAs) a partir de 1968.
Como precursores, que influenciaram o método, são citados o filósofo norte-americano John Dewey, cujas ideias sobre aprendizagem ativa e a relação entre a escola e a vida serviram de base para a abordagem pedagógica da alternância; e o educador brasileiro Paulo Freire, cujas teorias focadas na emancipação humana e na problematização da realidade, dialogam com a perspectiva transformadora da pedagogia da alternância.