“A Índia e a China são parceiras, não adversárias, com muito mais consenso do que divergências”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao presidente chinês Xi Jinping em uma reunião bilateral neste domingo (31), na Casa de Hóspedes de Tianjin.
Na mesma linha, Xi afirmou que os países devem trabalhar juntos para manter a paz e a tranquilidade nas áreas fronteiriças e “não deixar que a questão da fronteira defina a relação geral” entre os dois.
O presidente chinês recebeu Modi para uma reunião bilateral em Tianjin, uma das cidades administradas diretamente pelo governo central da China. A cidade é a sede da 25ª Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, que começou no final do dia, com um jantar com os mais de 20 chefes de Estado presentes na atividade.
Modi voltou à China depois de sete anos sem visitar o país. Em 2018 ele foi à China para participar também de uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai.
Os líderes, porém, se reuniram várias vezes desde então às margens de cúpulas do G20 ou do Brics, sendo a última em Kazan, na Rússia, em outubro do ano passado.
O primeiro-ministro indiano afirmou que o encontro em Kazan “traçou o rumo para o desenvolvimento das relações Índia-China” que “retornaram a um caminho positivo”.
Autonomia estratégica
A volta de Modi à China é vista como parte de um processo de reaproximação entre os dois países, e acontece ao mesmo tempo em que o governo Trump decidiu dobrar as tarifas (chegando a 50%) em todos os produtos indianos.
A medida esfriou a relação dos EUA com a Índia, que desde o início do ano se apresentava como forte candidata a ser uma das principais aliadas do país norte-americano no Sul Global.
Na reunião com Xi deste domingo, o primeiro-ministro indiano não mencionou os EUA, mas disse que os dois países defendem a “autonomia estratégica e a diplomacia independente”, e que “suas relações bilaterais não serão influenciadas por terceiros”.
O presidente chinês afirmou que “tanto China quanto a Índia estão em um estágio crítico de desenvolvimento e revitalização” e que “devem se concentrar no desenvolvimento como seu maior denominador comum, apoiando, promovendo e alcançando o sucesso mútuo”.
Modi ainda destacou a volta da permissão para que indianos possam fazer a peregrinação a lugares sagrados para o hinduísmo e em outras religiões indianas, como o Monte Kangrinboqe e o lago Mapam Yumco em Xizang (Tibete), assim como a retomada dos voos diretos entre os dois países.
A pausa havia ocorrido em 2020, em parte por conta da pandemia e pelo aumento das tensões na fronteira, com o confronto no Vale de Galwan.
*Com informações da Agência de Notícias Xinhua