Defesa da democracia

Em evento no Recife (PE), ministros do governo Lula defendem condenação de Bolsonaro: ‘Democracia tem que prevalecer’

Ex-presidente foi condenado por golpe de estado e tentativa de abolição do Estado Democrático

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Luciana Santos e Wellington Dias participaram do 3º Encontro Nacional da Economia de Francisco e Clara, no Recife | Crédito: Marcus Tullius/Divulgação

Quatro integrantes do governo federal participaram, nesta sexta-feira (12), do 3º Encontro Nacional de Economia Francisco e Clara, realizado no Recife, e comentaram a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Para os ministros e secretários presentes, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi necessária para assegurar a democracia e impedir a impunidade.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, destacou que a Corte agiu com firmeza e equilíbrio ao garantir o devido processo legal. Ele relembrou os desafios enfrentados quando governava o Piauí, em meio ao governo Bolsonaro, e classificou o julgamento como um marco para a democracia brasileira.

“O nosso Supremo foi bastante cuidadoso em dar a oportunidade de defesa e, é claro, cumprir a lei. A democracia, doa a quem doer, seja a pessoa mais simples ou um ex-presidente, tem que prevalecer. É lamentável ver pessoas se colocando a serviço de interesses contrários ao país. Traição à pátria não é aceitável”, afirmou Dias.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, reforçou que não se pode tolerar impunemente crimes contra a democracia. Ela lembrou que o processo foi conduzido com provas robustas apresentadas pelo relator Alexandre de Moraes.

“Houve devido processo legal, direito de defesa e provas consistentes de uma tentativa de golpe de Estado, incluindo até planos de assassinato do presidente Lula, do vice Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes. Isso é inaceitável. O Brasil já sofreu com uma história de golpes e ditaduras, marcada por tortura e assassinatos. Não podemos naturalizar esse passado. Precisamos virar a página”, declarou Luciana.

O secretário nacional de Economia Solidária, Gilberto Carvalho, trouxe à tona as marcas deixadas pela pandemia e relacionou a condenação também ao legado de descaso do ex-presidente com a saúde pública.

“Ontem, quando saiu o voto da ministra Cármen Lúcia, eu pensei nos 600 mil mortos da covid-19 e no sofrimento das famílias. A forma fria e irresponsável como Bolsonaro tratou a tragédia não pode ser esquecida. Essa condenação é também um resgate da dignidade do país. Não se trata de vingança, mas de afirmar que não haverá anistia para crimes contra a democracia. Se não punirmos, amanhã eles voltarão a agir”, disse Carvalho.

Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Nesta quinta-feira (11), Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de estado e organização criminosa. Quatro dos cinco ministros da Primeira Turma do STF consideraram Bolsonaro e mais sete réus culpados.

O ministro Luiz Fux foi o único voto pela absolvição. Ele concordou apenas em participar do debate a respeito da dosimetria das penas no caso do ex-ajudante de Bolsonaro, Mauro Cid, e do ex-ministro Walter Braga Neto, os únicos réus que ele condenou. Por causa da delação premiada, reconhecida pela PGR, Cid cumprirá uma pena menor do que a dos demais réus: dois anos de prisão em regime aberto.

Editado por: Nathallia Fonseca

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