Investigações

Polícia prende suspeito de matar líder quilombola Mãe Bernadete

Mãe Bernadete foi morta no dia 17 de agosto, em sua casa no quilombo Pitanga dos Palmares

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Casa onde viveu Mãe Bernardete, no quilombo Pitanga dos Palmares | Crédito: Janaína Neri

A Polícia Civil da Bahia prendeu um dos seis suspeitos de assassinar a líder quilombola Mãe Bernadete, na manhã desta sexta-feira (12), em Simões Filho (BA), na Região Metropolitana de Salvador. Outros quatro já haviam sido presos e outro segue foragido.

Josevan Dionisio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, foi preso após ser perseguido pela polícia e manter a companheira e os dois filhos como reféns. As vítimas foram libertadas sem ferimentos. Com o suspeito, foi apreendida uma pistola calibre 9 mm, de fabricação turca, com a numeração raspada.

Apontado como um dos envolvidos no assassinato de Mãe Bernadete, Santos também é investigado por fazer parte de um grupo criminoso na região envolvido com roubos, tráfico de drogas e homicídios. Ele era procurado desde o ano passado. Após ser preso, ele foi conduzido até a sede do Departamento de Repressão e Combate ao Narcotráfico (Denarc) e passou por exames legais. 

O filho de Mãe Bernadete celebrou a prisão, mas cobrou respostas sobre os mandantes do crime. “Isso é a ponta do iceberg. Tem que prender os mandantes. Quem mandou matar Mãe Bernadete e Binho do Quilombo?”, questionou Jurandir Pacífico em entrevista à TV Bahia.

Até o momento, um suspeito está foragido e cinco já foram presos: Arielson da Conceição Santos, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos, Ydney Carlos dos Santos de Jesus e Carlos Conceição Santiago.

De acordo com as investigações da Polícia Civil baiana, a líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico foi assassinada após entrar em conflito com interesses do tráfico de drogas no território.

O promotor de Justiça Luiz Neto, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MP-BA) frisou que as investigações trouxeram farta comprovação de que “Mãe Bernadete morreu porque lutava contra o tráfico de drogas na região”.

Mãe Bernadete foi morta no dia 17 de agosto, em sua casa no quilombo Pitanga dos Palmares. A denúncia oferecida pelo MP-BA aponta que ela foi alvejada por 25 disparos. No momento do crime, ela estava acompanhada de seus três netos, de 12, 13 e 18 anos. Mãe Bernadete era coordenadora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq), além de ser uma liderança respeitada em seu território.

A história do quilombo remonta ao século XIX, e há décadas vem resistindo ao avanço não só do tráfico sobre o território, mas também de grandes empreendimentos públicos e privados que geram uma forte especulação imobiliária. Em 2017, o filho da liderança, Gabriel Pacífico também foi assassinado em um atentado.

Editado por: Nathallia Fonseca

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