A reitora Marcia Barbosa e o vice-reitor Pedro Costa completaram um ano de gestão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) em transmissão pelo YouTube nesta segunda-feira (29) para apresentar balanço das realizações e trabalhos efetivados pela instituição. Eles responderam questões e dúvidas da comunidade universitária, incluindo professores, alunos e servidores. A iniciativa faz parte das ações de Gestão Aberta e visa reforçar o compromisso da Ufrgs com a transparência e a participação coletiva.
Barbosa assumiu o comando da universidade em 27 de setembro de 2024. Junto com o vice Pedro Costa, mostraram as principais questões atacadas durante 12 meses de atuação. Um dos destaques citado por eles foi a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe).
“Isso, para nós, significa olhar os sujeitos de direitos das ações afirmativas e também outros sujeitos de direito que não estão contemplados nessas políticas, como, por exemplo, as mães”, disse a reitora. Para ela, esse olhar se volta também para a questão do assédio na universidade, motivo que resultou em pesquisa no âmbito de toda a instituição. Uma das respostas para o enfrentamento foi o lançamento de uma formação a respeito do assédio da qual todos os integrantes da Administração Central já participaram e que está direcionada aos demais cargos de gestão da Ufrgs.
O diálogo em todas as decisões coletivas foi ressaltado por Costa. Para o vice-reitor, este foi um dos grandes legados e compromissos de campanha realizados. “Estamos firmes neste propósito”, afirmou. “É a nossa marca, é o nosso objetivo, onde jogamos todas as nossas forças e energias”. Ele apresentou diversas ações na área de Gestão de Pessoas, como a recriação da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) e o concurso público para técnicos administrativos em educação, cujas inscrições estão abertas até 2 de outubro.
O vice-reitor anunciou também a realização do Salão Ufrgs 2025, que volta a ser presencial e que acontecerá entre os 20 e 24 de outubro. Segundo ele, será um “super salão”, com mais de 6,5 mil trabalhos inscritos. A expectativa é que cerca de 1,5 mil pessoas circulem diariamente neste período pelo Campus do Vale para conhecer o que a Ufrgs faz em ensino, pesquisa, extensão, empreendedorismo e inovação.
Eles anunciaram ainda a busca de investimentos para melhorar o aspecto físico e as pesquisas da universidade. Questões relacionadas à infraestrutura e ao orçamento foram abordadas, destacando-se a busca de recursos para investimentos em melhorias para atender todas as demandas de uma universidade centenária (90 anos), com muitos prédios e áreas extensas. A reitora adiantou que o novo restaurante universitário do Campus Centro, o RU 08, deve ser inaugurado em final de outubro ou meados de novembro.
Sobre a ampliação do atendimento do RU 03 (Campus do Vale), foi explicado que estudos mostraram que a oferta de serviço de jantar teria um custo muito alto, para o qual não há recursos neste momento. Pedro informou que a Ufrgs recebe cerca de R$ 28 milhões de recursos da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e tem que colocar mais R$ 5 milhões de recursos próprios para dar conta dos custos nessa área.
Brevemente, um novo ônibus vai se somar ao “branquinho”, que circula no Campus do Vale, para facilitar os deslocamentos até o RU 06 no horário do jantar. Barbosa disse que a gestão se compromete a manter o custo da refeição em R$ 1,30 até o fim de 2026, embora o custo para a Ufrgs por refeição seja de R$ 19.
Campus Serra
A reitora anunciou também que o Campus Serra é uma demanda do governo federal para a qual já existem recursos específicos. Barbosa salientou que a presença na Serra abre muitas possibilidades de interações da universidade com empresas e instituições da região. As interações acadêmicas são importante fonte de receita para a Ufrgs, informou.
Também foram abordados assuntos como internacionalização, condições de trabalho dos profissionais terceirizados, protocolo para realização de eventos na universidade, iniciativas para adoção de fontes de energia sustentável, volta da presença da Editora da Ufrgs na Feira do Livro de Porto Alegre, entre outros.
A gravação da live está disponível no canal da Ufrgs TV no YouTube.
Encontro de ex-reitores
Na semana passada, dia 24, a Ufrgs promoveu o encontro “Universidade do amanhã”, um evento com os ex-reitores que teve a presença de Hélgio Trindade (reitor de 1994-1998), Wrana Panizzi (1998-2004), Alexandre Netto (2008-2016) e Rui Oppermann (2016-2020). Carlos Bulhões (2020-2024), nomeado pelo governo Bolsonaro, não participou.
Foram discutidos assuntos como a universidade emancipadora. Trindade resgatou momentos de sua trajetória enquanto reitor nos anos 1990 e enquanto militante estudantil nos anos 1960, destacando as reformas pretendidas pelos governos neoliberais e os primórdios da luta no Brasil pela paridade. Ele pregou a construção da democracia interna na universidade e a consulta paritária para a reitoria, afirmando que a universidade é uma instituição social e que sobreviverá se recriando periodicamente, nos novos contextos e desafios. Definiu a construção da democracia como processo longo, permanente e que deve envolver todos os segmentos.
Wrana Panizzi registrou que muitas das críticas de falta de legitimidade da Ufrgs partem de uma obscura compreensão da natureza e da essência da instituição. Para a ex-reitora, a universidade vive em permanente crise. “E esta condição é própria desta instituição. Viver crises é próprio de quem repousa no conhecimento. É grave? É grave, mas é próprio desta área. O grave é a gente não estar pronto e não pensar sobre a extensão desta crise”, avaliou.
Panizzi sustentou que a universidade deve trabalhar para o bem social e público. Também defendeu que, ao assumir o papel empresarial, a universidade nega a sua institucionalidade. “A universidade se destaca como detentora de uma força que sobressai e que ultrapassa sempre todos os percalços, em diferentes ataques e processos autoritários a ela dirigidos. Ela é capaz de parar, de se pensar enquanto instituição e se chamar, de ser conclamada a se modificar, a se transformar.”
Negacionismo
Carlos Alexandre Netto abordou o tema da universidade da pesquisa. Definiu a universidade como local da investigação e da ciência por excelência, ancorando essa ação na autonomia. Para ele, a autonomia é indispensável à pesquisa, sem ela a produção científica carece de legitimidade.
“Com autonomia estudo o que quero, porque acho importante, porque acho que posso contribuir dessa maneira dentro e fora da universidade. Vamos combinar que deve ser complicado fazer pesquisa numa empresa com algum tema que vá contra os interesses daquela própria empresa”, ressaltou.
Netto abordou a desinformação e o negacionismo como desafios atuais da humanidade para os quais a ciência e a pesquisa são o contraponto. Segundo ele, é tarefa da comunidade científica ocupar espaços das redes sociais para desmistificar e desmentir determinadas abordagens negacionistas, conforme ressalta a assessoria de comunicação da Ufrgs com base na fala de Carlos Alexandre.
“Os discursos antivacina, a negação dos movimentos das mudanças climáticas e outras fake news, baseadas em zero evidência científica comprovada, ganham espaço quando estão amparados em alguma autoridade”, apontou o ex-reitor, enfatizando que a proliferação das fake news só é lucrativa para as big techs.
O ex-reitor Rui Vicente Oppermann falou como diretor de Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cargo que ocupa há três anos. Disse que estava retornando à Ufrgs após cinco anos, quando deixou a reitoria. Ele traçou um panorama histórico da internacionalização da pós-graduação no Brasil, localizando a importância dessa dimensão a partir do surgimento da Capes.
Oppermann defendeu a superação da concepção de internacionalização baseada na mobilidade para uma noção de cooperação, ancorada na política de relações exteriores do Estado brasileiro. Para ele, um dos objetivos estratégicos da internacionalização da ciência brasileira é ampliar a presença de estrangeiros na pós-graduação do país.
* Com informações da Ufrgs.
