REVOLUÇÃO

Bloqueio, pandemia, Brics e solidariedade revolucionária em Cuba (Parte 2)

Em Cuba, a Revolução permanece como referência de dignidade e soberania frente ao imperialismo

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Delegação brasileira com o presidente Miguel Díaz-Canel em Ciego de Ávila | Crédito: Fotos: Emanuel Dal Bello, Estevão Zalazar e Fabiano Zalazar

“A solidariedade é a ternura dos povos.” – Fidel Castro

O bloqueio econômico dos Estados Unidos, iniciado em 1960 e consolidado em 1962, foi reforçado por legislações como o Cuban Democracy Act (1992) e a Lei Helms-Burton (1996). Essa política extraterritorial atinge até países terceiros que mantêm relações comerciais com Cuba, tornando-se uma das sanções mais longas e severas do mundo. Estima-se que os prejuízos superem um trilhão de dólares em mais de seis décadas, afetando saúde, educação, agricultura e indústria. Apesar disso, Cuba preserva conquistas sociais, e a maioria da comunidade internacional condena o embargo — com os EUA e Israel quase sempre isolados em sua defesa.

A pandemia da covid-19 agravou a crise: o turismo, principal fonte de divisas, foi praticamente paralisado. Mesmo assim, Cuba demonstrou resiliência ao desenvolver vacinas próprias, como a Soberana 02, que alcançou mais de 90% de eficácia em três doses. O Centro de Imunologia Molecular, visitado pela delegação, mostrou a capacidade científica e a rapidez com que o país reagiu. Ao mesmo tempo, médicos cubanos seguiram em missões internacionais, reafirmando a tradição solidária da Revolução Cubana.

Família cubana no final de tarde no Malecon – Fotos: Emanuel Dal Bello, Estevão Zalazar e Fabiano Zalazar

Em 2025, Cuba se tornou parceira dos Brics, abrindo novas perspectivas econômicas e geopolíticas. O ingresso significa acesso ao Novo Banco de Desenvolvimento e maior integração em projetos de ciência, tecnologia e cooperação internacional. Ainda que não seja membro pleno, a parceria representa esperança e renovação diplomática. Trata-se de um passo estratégico diante de um bloqueio ilegal e inaceitável que fortalece os laços com o Sul Global e abre oportunidades em biotecnologia, saúde e inteligência artificial.

A solidariedade revolucionária permanece como marca essencial. Missões médicas, projetos de alfabetização e mobilização comunitária continuam sendo parte da identidade cubana. No cotidiano, observamos cenas de esperança: crianças brincando em praças mesmo durante racionamentos, famílias reunidas apesar das carências, postos de saúde ativos com poucos recursos. Essas imagens contrastam com a narrativa que reduz Cuba a um país pobre e ditatorial.

Emanuel e Fabiano com o ativista Thiago Ávila em Cuba – Foto: Arquivo pessoal

O turismo, que em 2019 recebia cerca de cinco milhões de visitantes, foi duramente afetado pela pandemia e busca se recuperar como setor-chave da economia. Apesar da pobreza, a desigualdade não se compara à de países como o Brasil, onde a miséria e a violência são naturalizadas.

No fim, a maior riqueza de Cuba é seu povo: resistente, solidário, alegre e emotivo. A Revolução permanece como referência de dignidade e soberania frente ao imperialismo. A experiência da Caravana reforça a necessidade de defender esse projeto histórico. Visitar Cuba é uma vivência transformadora, um convite para conhecer de perto um coração que não recuou – e não recuará – diante de todas as adversidades do capitalismo. Cuba não é terrorista, é uma nação humanista e solidária. Por isso, visitar um dos países com a geografia mais linda do planeta, conhecer sua arte, história e cultura é uma experiência imperdível.

Carnaval das crianças em Santiago – Fotos: Emanuel Dal Bello, Estevão Zalazar e Fabiano Zalazar

Como disse certa feita o genial Silvio Rodriguez, que também já foi deputado na Ilha, “Cuba sem o bloqueio seria um país ainda mais generoso e solidário, ou seja, um perigo terrível para o egoísmo universal”.

“Visitar Cuba é uma vivência transformadora, um convite para conhecer de perto um coração que não recuou – e não recuará – diante de todas as adversidades do capitalismo” – Foto: Arquivo pessoal

É hora de visitarmos Cuba reconhecendo em cada um de nós a generosidade e a solidariedade que devem mover o mundo.

>>> Cuba: um coração que não recuou (Parte 1).

*Fabiano Zalazar é servidor do TJRS e Secretário Geral do Sindicato dos Servidores da Justiça do RS (Sindjus-RS).

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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