Saneamento em pauta

CPI do Desmonte do Dmae: vereador da base de Melo revela prática de propina

Depoimento de Gilvani 'O Gringo' aponta manutenção de esquemas corrupção até 2023 na autarquia de Porto Alegre

Relator da CPI, Rafael Fleck (MDB), presidenta da CPI, Natasha Ferreira (PT), e vereador Gilvani “O Gringo” (Republicanos) | Crédito: Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Porto Alegre que investiga o desmonte do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) ouviu, nesta segunda-feira (29), o vereador Gilvani “O Gringo” (Republicanos), da base do prefeito Sebastião Melo (MDB). Ele foi convocado devido a vínculos empresariais com companhias contratadas pela autarquia.

O parlamentar trouxe relatos que indicam a existência de esquemas de propina no setor de saneamento, inclusive com suspeitas de continuidade até 2023. Segundo Gilvani, os repasses eram feitos em espécie: “era necessário receber o dinheiro, sacar e fazer o pagamento”. Questionado, ele ainda reconheceu já ter sido denunciado e condenado em processos anteriores relacionados a corrupção.

Gilvani também afirmou que, na época do extinto Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), a regra era a do “só recebe se paga”, em referência à obrigatoriedade de propina para liberação de recursos. A prática, segundo seu depoimento, teria persistido após a incorporação do DEP ao Dmae.

A presidenta da CPI, vereadora Natasha Ferreira (PT), avaliou que os depoimentos reforçam a relação entre corrupção e a política de enfraquecimento da autarquia. “Existe uma agenda de desmonte do Dmae público. A nossa autarquia tem dinheiro em caixa, mas esquemas de propina e corrupção têm causado o desmonte da máquina pública”, afirmou.

Prefeito comunicado sobre denúncias

Na mesma sessão, também foi ouvido o ex-secretário municipal de Transparência e Controladoria, Gustavo Ferenci. Ele declarou ter informado o prefeito Sebastião Melo, no dia seguinte, sobre as denúncias de corrupção apresentadas pelo empresário Luiz Augusto Pinto França, e que ordenou investigar o caso.

Conforme Ferenci, não havia provas de pagamento de propina de R$ 60 mil mensais: “A investigação apontou que era a palavra de um contra o outro”, afirmou, referindo-se a França e ao ex-diretor do Dmae Alexandre Garcia.

Questionado pela CPI sobre a permanência de Alexandre Garcia na direção do Dmae mesmo após as denúncias, Ferenci afirmou que não recomendou a demissão. “Se o prefeito tem essa responsabilidade, então eu também tenho”, declarou.

Próximos depoimentos

Na próxima segunda-feira (6), a CPI do Desmonte do Dmae deve ouvir o ex-diretor-geral Alexandre Garcia, acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva por ter solicitado e recebido indevidamente R$ 517 mil desde que assumiu o cargo, além de Agostinho Meirelles.

Editado por: Marcelo Ferreira

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