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Documentário que acompanha testemunhas e sobreviventes da chacina de Pau D’Arco será exibido no Festival do Rio

Filme sobre massacre ocorrido em 2017 no sul do Pará será exibido em três sessões no Festival do Rio de cinema

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Fernando Araújo, sobrevivente da chacina e protagonista do filme foi assassinado em 2021 | Crédito: Reprodução/Documentário Pau D'Arco

Uma operação conjunta das polícias civil e militar na Fazenda Santa Lúcia, no sul do Pará, levou ao assassinato de dez trabalhadores rurais sem-terra, nove homens e uma mulher liderança do acampamento, Jane Júlia. Um massacre que ocorreu em maio de 2017 e ficou conhecido como ‘chacina de Pau D’Arco’, agora está registrado em documentário oito anos depois. O longa Pau d’Arco será exibido no Festival do Rio de cinema nos dias 3, 4 e 5 de outubro.

As filmagens começaram em 24 maio de 2017, dia da chacina, e seguiram por mais sete anos para acompanhar os sobreviventes e o advogado do caso. Ao longo de 89 minutos, o filme revela fatos chocantes que indicam a possível tentativa de silenciar testemunhas e encobrir o crime, que permanece impune. Desde que começou a ser exibido em festivais, o documentário já ganhou sete prêmios, entre eles o de melhor longa-metragem pelo júri na Mostra Ecofalante de Cinema 2025.

A equipe da Repórter Brasil já estava no Pará investigando uma articulação entre fazendeiros para intimidação de trabalhadores rurais sem-terra quando a operação ocorreu.  “Um caso dessa magnitude sempre acaba virando simbólico em toda a região, em todo o Pará. Todo mundo conhece o caso de Pau d’Arco hoje e teme que algo parecido aconteça. E ali a gente decidiu, então, acompanhar a história”, conta ao Brasil de Fato a diretora da filme, Ana Aranha.

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O impacto do caso levou a uma grande cobertura jornalística na época e também, a uma investigação exemplar da Polícia Federal. Havia duas delações premiadas, inúmeras testemunhas e a PF fez uma reconstituição do caso detalhada. Toda essa movimentação levou a produção a crer que encerrariam o filme com o julgamento dos policiais. No entanto, quatro anos após o início das gravações e com o filme quase pronto, houve uma reviravolta.

O sobrevivente do massacre, que vitimou seu namorado, e protagonista do filme, Fernando Araújo, foi assassinado em 26 de julho de 2021 com um tiro na nuca após sofrer inúmeras ameaças. Somado a isso, o advogado do caso, José Vargas, foi preso sob acusação de participação em um assassinato. “Nesse momento ficou muito claro que a gente tinha uma outra história para contar e tínhamos que repensar o filme”. Em 2023, a inocência de Vargas foi confirmada pela justiça e o caso foi arquivado. O advogado é uma das presenças confirmadas na estreia do filme no festival, no dia 3 de outubro, ao lado da diretora e do jornalista e ativista Raúl Santiago.

Mais quatro anos se passaram após a execução de Fernando e em agosto deste ano uma decisão judicial reconheceu como válido o decreto federal 12.395/2025 que  reconhece a Fazenda Santa Lúcia como área de interesse social para fins de desapropriação e permitiu que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) emita com urgência a posse da fazenda para as mais de 200 famílias que ocupam a fazenda desde 2017.

A esperança da diretora é que nas próximas semanas a documentação para os assentados saia oficialmente. “Eu não vou dizer que isso é resultado do filme, porque não é, né? É uma história complexa, tem agentes públicos há muito tempo envolvidos nisso. Mas eu acho que se a gente colocar essa história à tona, sem dúvida alguma, no mínimo desencoraja pessoas que poderiam estar trabalhando contra esse processo”, diz. O lançamento do filme é acompanhado de uma campanha para que as vítimas sejam indenizadas, tenham seu direito à terra garantido e os responsáveis pelo massacre sejam julgados. 

Festival do Rio

A 27ª edição do Festival do Rio de cinema acontece entre os dias 2 e 12 de outubro em salas de cinema espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro. A programação inclui nove mostras, como destaques latinos, brasileiros e mundiais. Entre as diversas mostras promovidas pelo Festival do Rio está a Première Brasil, importante vitrine do cinema nacional, que reúne curtas e longas, documentários e ficções. Há também uma mostra de filmes clássicos e cults, outra com filmes de terror e uma especial sobre a COP 30. A programação ainda está dividida em exibições gratuitas que pode ser acessada aqui.

Serviço

Pau d’Arco (89 minutos / 2025)
Direção: Ana Aranha
Produção: Repórter Brasil e Amana Cine

Coprodução: RioFilme 

Sessões no Festival do Rio:

3 de outubro (sexta-feira), 19h
Festival do Rio, Estação Net Rio
Sessão seguida de debate com Raull Santiago, advogado e protagonista do filme José Vargas e a diretora Ana Aranha. 

4 de outubro (sábado), 16h
CineCarioca José Wilker

5 de outubro (domingo), 13h45
Cine Santa Tereza

Ingressos: No local e online pelo site do Festival de Cinema do Rio ou ingresso.com.

Editado por: Vivian Virissimo

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