Belo Horizonte pode dar um passo histórico nesta sexta-feira (3), quando a Câmara Municipal deve votar o projeto que institui a Tarifa Zero no transporte público da capital. Se aprovado, a cidade será a primeira capital brasileira a garantir ônibus gratuito para toda a população.
Um estudo elaborado por economistas do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra o tamanho da transformação que a medida pode gerar: famílias de baixa renda, que hoje comprometem até 20% do orçamento com transporte, teriam uma liberação significativa de recursos.
Esse dinheiro poderia ser destinado à alimentação, saúde, lazer, educação e outras despesas essenciais, aumentando diretamente a qualidade de vida. A pesquisa foi desenvolvida a partir dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017/2018).
“O peso desse gasto compromete a capacidade das famílias de consumir outros bens e serviços, além de restringir sua mobilidade para acessar direitos básicos, como saúde, educação e trabalho. Nesse sentido, o projeto de Tarifa Zero proposto na Câmara Municipal de Belo Horizonte, representa uma liberação de renda, especialmente para famílias de baixa renda”, ressalta o documento.
O Projeto de Lei (PL) 60/2025, que ficou conhecido popularmente como PL do Busão 0800, propõe a gratuidade nos ônibus de Belo Horizonte, e funciona a partir da criação de uma Taxa do Transporte Público (TTP). A TTP será um imposto cobrado de grandes empresas – com mais de 10 funcionários – substituindo, com valor inferior, o vale transporte pago hoje.
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A nota técnica destaca ainda que o ônibus concentra 88% dos gastos com mobilidade em BH, evidenciando a centralidade desse modal no dia a dia da cidade. No total, o programa teria uma razão benefício-custo de R$ 3,89, ou seja, quase quatro reais de benefício para cada real investido.
Além do impacto social, a medida também traz ganhos econômicos. A expectativa é de que o dinheiro poupado pelas famílias seja injetado no comércio e serviços locais, impulsionando a economia e gerando empregos. As simulações feitas pelo Cedeplar indicam que cada real investido na política pode multiplicar em até quatro reais em benefícios econômicos para a cidade.
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