Esporte

Brasil dispara no quadro de medalhas do Mundial Paralímpico e avança em políticas de inclusão

País soma 12 ouros, 16 pratas e 7 bronzes, totalizando 36 medalhas e mantendo a liderança isolada no quadro geral

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Wanna Brito, campeã no Mundial de Atletismo em Nova Déli, na Índia
Wanna Brito, campeã no Mundial de Atletismo em Nova Déli, na Índia | Crédito: Alessandra Cabral/CPB

O Brasil segue liderando com folga o quadro de medalhas no Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico 2025, em Nova Déli, na Índia, que começou em 27 de setembro e será encerrado neste domingo (5). Na quinta-feira (2), a delegação conquistou quatro ouros e quebrou dois recordes mundiais.

Entre os destaques, Wanna Brito brilhou no arremesso de peso em cadeira, estabelecendo um recorde mundial com a marca de 8,49 m. Antônia Keyla também fez história ao conquistar o ouro no lançamento de disco com prótese, com 39,33 m, novo recorde mundial da prova.

Nas pistas, Maria Clara Augusto venceu os 400 m com deficiência em braço, enquanto Bartolomeu Chaves foi campeão nos 400 m com paralisia cerebral em um lado do corpo. O Brasil ainda somou pratas importantes: Thomaz Ruan ficou em segundo nos 400 m com deficiência em braço, e Thiago Paulino levou prata no lançamento de disco sentado.

Com esses resultados, o país soma 12 ouros, 16 pratas e 7 bronzes, totalizando 36 medalhas e mantendo a liderança isolada no quadro geral.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Anna Paula Feminella, secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, atribuiu o desempenho a políticas públicas e ao investimento contínuo em esporte e inclusão.

“Esse resultado, que temos avançado, vemos cada vez mais o Brasil se fortalecendo, é fruto de uma campanha, um investimento do governo federal, da Bolsa Atleta Paralímpico, e também da identificação de que muitas pessoas com deficiências, em função da falta de acesso a empregos, vêem o esporte como uma possibilidade de mobilidade social”, afirmou.

Segundo ela, ainda existem desafios, especialmente no acesso desde a escola. “Precisamos que a educação física escolar seja valorizada, com a presença de estudantes com deficiência desde a educação infantil, tendo espaços, oportunidades para ampliar sua cultura de movimento, propiciando não só saúde, mas maior autonomia, maior desenvolvimento e oportunidades no esporte de rendimento”, defendeu.

Visibilidade e combate ao capacitismo

Feminella também destacou a importância da visibilidade dos atletas e de romper com estereótipos. “Esses atletas que estão ganhando uma medalha não são super-heróis ou super humanos, mas sim pessoas como nós que tivemos oportunidades de se desenvolver, que são oportunidades que são construídas socialmente”, explicou.

A secretária lembrou que o Ministério dos Esportes tem atuado de forma integrada com o Comitê Paralímpico Brasileiro e com a sociedade civil, ampliando ações contra a discriminação. “O esporte paralímpico tem esse potencial. Assim como o racismo, é importante identificar a discriminação e impedir as violações dos direitos. O capacitismo, a discriminação em razão de deficiência, é uma violência que ainda é muito naturalizada na nossa sociedade”, lamenta.

O ministério lançou, no início deste mês, o guia Capacitista em Desconstrução, de combate ao capacitismo nos esportes e em outros ambientes. O material reforça que o esporte é sobre trabalho, treino, talento e estratégia, não sobre “superar a deficiência”, e aponta que o termo “paratleta” não existe.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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