Na manhã desta segunda-feira (6), teve início, no Recife, as atividades locais do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta, que promove a pintura de murais urbanos com tinta produzida de cinzas de incêndios florestais. Visando impactar na COP-30, a ação de arte e ativismo ambiental tem o objetivo de denunciar as ações destrutivas de grupos econômicos que atuam na Amazônia e homenagear os trabalhadores e voluntários e brigadas florestais. As atividades seguem na capital pernambucana até o dia 15 de outubro.
No Recife, estão previstas duas intervenções. No bairro de Santo Amaro, os artistas Ianah Maia, Hellen “Hell” Andrade, Seixas de Barros e Raí “Etnia” Mateus estão pintando um painel colaborativo na parede externa da Escola Cônego Rochael de Medeiros, próxima à Biblioteca Pública de Pernambuco.
Os estudantes da instituição podem participar de uma oficina de pintura com as tintas produzidas das cinzas, atividade facilitada pela arte-educadora Micaela Almeida.
Nesta terça-feira (7), na avenida Conde da Boa Vista, também no centro da capital, a artista paraibana “Zona”, codinome de Amanda Dias, pintará um mural na lateral do edifício Canadá, ao lado da Igreja Batista. Quando finalizado, haverá uma visita guiada com a artista para falar sobre a obra.
As tintas utilizadas nas obras foram produzidas com cinzas coletadas em 2024 por brigadistas voluntários de diferentes regiões do Brasil. O material foi misturado à resina acrílica e os artistas esperam levar para as cidades os traços da destruição e o potencial simbólico de reconstrução. Parte do processo foi registrado no filme Cinzas da Floresta, dirigido por André D’Elia e idealizado pelo artista paulistano Mundano, fundador da iniciativa Parede Viva.
O Recife é a segunda cidade a receber o festival em 2025, após de Manaus (no Amazonas). Em 2024, a ação percorreu , Fortaleza (CE), Belém (PA), São Paulo (SP), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS). As edições anteriores já deixaram murais como legado artístico, reforçando a importância da arte urbana como ferramenta de mobilização e reflexão. O Cinzas da Floresta é uma ideia do Parede Viva, entidade que atua desde 2010 com projetos de arte urbana e transformação social.
