Kuala Lumpur, capital da Malásia, tornou-se na última semana o epicentro das discussões globais sobre seguridade social. O Fórum Mundial da Seguridade Social, organizado pela Associação Internacional de Seguridade Social (AISS), que tem como presidente o malaio Mohammed Azman Bin Aziz Mohammed, reúne representantes de 135 países — entre especialistas, gestores públicos e instituições de previdência social e organismos internacionais — para debater como os sistemas de seguridade social podem responder às novas pressões geradas pela inteligência artificial, pela ampliação da cobertura da previdência social, pelo impacto das mudanças climáticas, pelas inovações tecnológicas, bem como a ampla troca de experiencias entre as instituições previdenciárias mundiais.
O ministro do Recursos Humanos da Malásia, Steven Sim Chee Keong, na última atividade do Fórum na noite des quinta-feira, nomeou todos os cidadãos malaios que fazem parte da Frotilha e foram presos por Israel. O ministro exigiu o fim do genocídio do povo palestino e condenou a ação contra os integrantes da frota, exigindo a imediata libertação dos ativistas que levavam ajuda humanitária a Gaza.
Na Malásia, milhares de pessoas participaram na última sexta-feira (3), em Kuala Lumpur de uma manifestação em frente à embaixada dos Estados Unidos, para condenar a detenção por parte de Israel dos tripulantes da Flotilha humanitária que rumava a Gaza e exigir a libertação dos 473 tripulantes sendo que entre eles estão 23 malaios. Apesar das intensas chuvas que caiam na capital do país, segundo a imprensa local, o protesto reuniu mais de 5000 pessoas que exigiam tambem o fim do genocídio na Palestina.
O Brasil participa com uma delegação composta por Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev — Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social; Manoella Andrade Pereira da Silva, diretora de orçamento, finanças e logística e Vanessa Fraga, responsavel pelo relacionamento com a AISS e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ambas do Instittuto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante o evento, foi anunciada que São Paulo sediará, em março de 2026, o Fórum das Américas da AISS, que sera organizado pelo Ministerio da Previdencia Social, INSS e Dataprev. O evento reunirá países de toda a região e também os membros da CPLP — Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Proteção social avança, mas ainda exclui bilhões
Cerca de 52% da população mundial já está coberta por pelo menos uma prestação de proteção social — um avanço expressivo frente aos desafios históricos de exclusão. Os dados fazem parte do Informe Mundial da Proteção Social da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e foram apresentados por Helmut Schwarzer, Especialista Senior do Departamento de Protecao Social da OIT em Genebra, durante o Fórum Mundial da AISS. Esse avanço reflete tanto a formalização do mercado de trabalho quanto o acesso ampliado a pelo menos um benefício social por parte da população mundial. O dado reforça a importância de políticas inclusivas e adaptadas às novas formas de trabalho.
Apesar dos progressos, o informe da OIT revela que mais de 4 bilhões de pessoas seguem sem acesso à proteção social. A exclusão afeta principalmente trabalhadores informais, migrantes, jovens e mulheres, e exige respostas estruturais e políticas públicas sustentáveis. Schwarzer ressaltou que ampliar a cobertura não é apenas uma meta técnica — é uma escolha política com impacto direto na equidade, na inclusão e na estabilidade econômica. O fortalecimento dos sistemas de seguridade social é, portanto, uma prioridade global para enfrentar vulnerabilidades e garantir justiça social.
Entre 2015 e 2023, 42 países lograram aumentar a taxa de cobertura da proteção social em 2 pontos percentuais ao ano e 14 outros estavam próximos deste valor. Por este modo, explicou Schwarzer, no documento resultante da Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento, ocorrida em Sevilha em julho deste ano, a ONU incluiu um chamado a que todos países estabeleçam esta meta para os próximos anos e incluam progressivamente mais recursos nos seus orçamentos nacionais, com a finalidade de acelerar a expansão da proteção social com uma meta realista. Schwarzer também apresentou dados do Monitor da Proteção Social da OIT, que mostram que houve, entre 2010 e 2024, pelo menos 1.700 medidas adotadas pelos países do mundo para expandir políticas de proteção social, muitas financiadas com impostos, em países de renda média.
Mudanças Climáticas e seus efeitos sobre a seguridade
As mudanças climáticas estão redefinindo os contornos da seguridade social global, ao intensificar vulnerabilidades e exigir respostas mais integradas e adaptativas. Eventos extremos como enchentes, secas, incêndios florestais e ondas de calor têm provocado deslocamentos populacionais, perda de meios de subsistência e aumento de doenças, pressionando sistemas de saúde, previdência e assistência social. Países com infraestrutura precária ou baixa capacidade de resposta enfrentam impactos desproporcionais, agravando desigualdades sociais e econômicas.
A catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, entre outras ocorrências que vem ocorrendo em diferentes lugares no mundo, acendeu um alerta entre os formuladores de políticas públicas. Os impactos ambientais têm pressionado os sistemas de seguridade social, exigindo respostas rápidas e estratégias de resiliência. O tema foi amplamente discutido ao longo do Fórum da AISS, com destaque para a necessidade de integração entre políticas sociais e ambientais. Especialistas defenderam que a proteção social deve incorporar o risco climático como uma variável permanente, promovendo ações coordenadas entre governos, instituições e comunidades para garantir justiça social em tempos de crise ambiental.
Inovação tecnologicas
A Plataforma de Serviços Atuariais (ASP), desenvolvida pela OIT e pela AISS, foi uma das inovações que mais despertaram o interesse dos gestores presentes ao Fórum Mundial da Seguridade Social. A ferramenta permite aos Institutos de Previdência Social aprimorar sua capacidade técnica para realizar projeções de gastos e receitas, fundamentais para o planejamento de políticas públicas. Combinando modelagem técnica, inteligência artificial e recursos interativos, a ASP oferece simulações em tempo real, análises comparativas e visualizações acessíveis — transformando dados complexos em subsídios estratégicos para a gestão previdenciária.
As projeções atuariais geradas pela plataforma são essenciais para que os sistemas de seguridade social respondam com precisão aos desafios demográficos e econômicos. Ao integrar variáveis como envelhecimento populacional, cobertura contributiva e sustentabilidade fiscal, a ASP fortalece a capacidade dos países de planejar o futuro da proteção social com base em evidências. A apresentação no Fórum evidenciou o potencial da ferramenta como aliada na formulação de políticas que impactam diretamente o cotidiano dos trabalhadores.
Juventude, cinema e seguridade social no Fórum
A linguagem audiovisual ganhou protagonismo durante o Fórum da AISS com a criação de um festival internacional de vídeos. “Queremos estimular e observar as práticas de comunicação — interna e externa — que nossos membros adotam, especialmente no que diz respeito à mídia de vídeo”, afirmou o brasileiro Marcelo Abi-Ramia Caetano, secretário-geral da AISS. Ao todo, foram inscritos 261 vídeos, enviados por 96 organizações filiadas à AISS, representando 69 países — um retrato da diversidade e do engajamento global em torno da comunicação pública. “É importante focar na juventude por duas razões: para perceber a seguridade social ao longo do ciclo da vida e para ampliar sua cobertura, adaptando-se às novas realidades do trabalho”, destacou Caetano.
Na cerimônia de premiação realizada em 29 de setembro, quatro instituições foram reconhecidas por suas contribuições criativas e impactantes. A Superintendência de Pensões da República Dominicana recebeu o prêmio de melhor vídeo na categoria principal com Testimonio de Rossy: Pensión de supervivencia. Na categoria de vídeos curtos, o destaque foi para a Caixa Nacional de Segurança Social de Uganda, com o vídeo HI-Innovator Women Accelerator Program. O prêmio juvenil foi concedido ao Fundo Helênico Auxiliar de Pensões da Grécia, pelo vídeo TEKA – Investe HOJE no seu próprio FUTURO. Já o Serviço Público Federal de Segurança Social da Bélgica recebeu menção especial sobre inclusão com o vídeo European Disability Card. As produções foram exibidas ao longo do Fórum e estão disponíveis ao público em um mapa interativo online.
Para ver os vídeos: https://www.issa.int/events/wssf2025/videofestival/map
