VIGILÂNCIA

Secretaria de Saúde intensifica fiscalização de bebidas adulteradas na Paraíba

Grupo de trabalho monitora intoxicações e orienta população sobre riscos de bebidas de procedência duvidosa

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Contaminação por Metanol acendeu alerta nos órgãos de saúde do Brasil para reforçar fiscalização. | Crédito: Biodiesel Brasil

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) deu início à criação de um Grupo de Trabalho integrado para reforçar a fiscalização e inspeção de bebidas alcoólicas adulteradas em João Pessoa e em toda a Paraíba. A iniciativa também organiza a rede estadual de saúde para agilizar a notificação de casos suspeitos de intoxicação por bebidas de procedência duvidosa. Participam dessa frente a Agevisa, o Procon Estadual, a Polícia Civil, o Instituto de Polícia Científica (IPC), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox – JP).

Sintomas e medidas preventivas

Os sintomas de intoxicação incluem náusea, vômito, dor abdominal, alteração visual e desorientação, geralmente após a ingestão de bebida alcoólica. Desde o dia primeiro, a rede estadual de saúde está mobilizada para a notificação obrigatória de casos suspeitos, seguindo orientação do Ministério da Saúde. Além de notas técnicas para vigilância, profissionais da rede hospitalar estadual vêm recebendo capacitação para conduzir corretamente casos de intoxicação que chegam às unidades de urgência.

Caso suspeito de contaminação de bebida por metanol em Baraúna alerta autoridades

O primeiro caso suspeito na Paraíba foi notificado no sábado, na região do Seridó. Trata-se de um homem de trinta e dois anos, residente em Baraúna, que deu entrada no Hospital Regional de Picuí. Ele recebeu atendimento local e foi encaminhado à UTI, sendo posteriormente transferido para a UTI do Hospital de Trauma de Campina Grande para assistência especializada.

O secretário de Estado da Saúde, Ari Reis, destacou que o caso está em investigação: “Estão sendo realizados exames para confirmar ou descartar a hipótese de contaminação por metanol. Foram coletadas amostras da bebida nas quais serão analisadas pelo IPC, já as inspeções e as investigações da bebida destilada serão conduzidas pela Polícia Civil e Agevisa”, explicou em comunicação oficial. Segundo ele, exames estão sendo realizados para confirmar ou descartar contaminação por metanol. Amostras da bebida foram coletadas para análise pelo IPC, enquanto Agevisa e Polícia Civil conduzem inspeções e investigações sobre a bebida destilada.

Verifique a procedência

Casos de intoxicação por bebidas adulteradas são registrados no Brasil há décadas, geralmente envolvendo o consumo de metanol em bebidas destiladas. Historicamente, surtos desse tipo ocorreram em momentos de maior consumo de álcool clandestino e informal, representando risco grave à saúde pública. A SES recomenda que a população adquira bebidas alcoólicas apenas de estabelecimentos confiáveis e verifique a procedência. Qualquer sintoma após a ingestão, como náusea, vômito, dor abdominal, alteração visual ou desorientação, deve motivar busca imediata de atendimento médico. O consumo de bebidas adulteradas pode ser letal e causar sequelas permanentes.

Pesquisadores da UEPB desenvolvem método para identificar metanol em bebidas

Além da intensificação da fiscalização, a Paraíba celebra uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) que criou um método rápido, barato e eficiente para detectar metanol em bebidas destiladas. Agora, a equipe avança para um novo dispositivo de segurança: um canudo que muda de cor ao entrar em contato com a substância.

“A ideia é ter um canudo impregnado com uma substância química que muda de cor quando detecta metanol. Assim, o consumidor terá uma segurança extra ao consumir a bebida, sabendo se ela contém ou não a substância tóxica”, explica Nadja Oliveira, pró-reitora de pós-graduação da UEPB.

O alerta ganha relevância em meio ao aumento de intoxicações no país: até a noite de sexta-feira (3), o Brasil registrava 113 notificações de contaminação por metanol em cinco estados e no Distrito Federal. São 11 casos confirmados e 102 em investigação, com ocorrências em São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Primeira morte por intoxicação

A Paraíba registrou a primeira morte por intoxicação por metanol. A vítima, um homem de 32 anos de Baraúnas, deu entrada no Hospital Regional de Picuí após ingerir bebida alcoólica nos últimos três dias e apresentar sintomas de intoxicação. Transferido para a UTI do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, ele não resistiu às complicações. Polícia Civil e Agevisa investigam a origem da bebida e adotam medidas de controle sanitário no município.

Luz infravermelha

O método desenvolvido pela UEPB utiliza luz infravermelha para analisar a garrafa, mesmo lacrada. A radiação provoca agitação nas moléculas da bebida, e um software interpreta os dados, identificando substâncias que não fazem parte da composição original, como metanol ou adição de água para aumentar o rendimento.

A pesquisa começou com a análise de cachaça, mas pode ser aplicada a outros destilados. “O método consegue identificar se a cachaça foi adulterada com compostos estranhos ou se houve alguma alteração fraudulenta, como adição de água”, afirma David Fernandes, autor do estudo.

A tecnologia permite detectar adulterações em poucos minutos, sem o uso de produtos químicos, com até 97% de precisão. O projeto teve início em 2023 e, em 2025, os pesquisadores publicaram dois artigos sobre a metodologia na revista Food Chemistry, uma das principais publicações dedicadas à química e bioquímica de alimentos.


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Editado por: Cida Alves

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