Nesta terça-feira (7), o conflito entre Israel e Hamas completa dois anos. Com mais de 67 mil mortos e acusações de genocídio contra o Estado israelense, o momento é considerado o mais favorável para um cessar-fogo desde 2023. As negociações de paz foram retomadas nesta segunda-feira (6) no Egito, com mediação dos Estados Unidos. O plano prevê a libertação de reféns e a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza.
Para Badra El Cheikh, coordenadora de advocacy e campanhas no Brasil do Instituto Palestino de Diplomacia Pública, a atual rodada de conversas é motivada por interesses eleitorais e de imagem do presidente norte-americano Donald Trump. Segundo a ativista, Trump tenta se reposicionar como um “grande mediador global”, mas age sem consultar o povo palestino. “Ele entra agora com esse plano proposto sem absolutamente nenhuma consulta aos palestinos, como de praxe, em uma situação colonial”, criticou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Ela também criticou o papel do Egito. “Poderia ter aberto a saída de Gaza, permitido que os palestinos respirassem, mas escolheu deixá-los no campo de concentração na faixa de Gaza”, disse. Para Badra, tanto o Egito quanto os EUA agem com base em interesses geopolíticos próprios, e não em solidariedade ao povo palestino.
“São dois anos de genocídio, não estamos falando de uma guerra entre forças iguais”, relembrou, ao classificar os ataques israelenses como “completamente desproporcionais a civis, hospitais e infraestrutura”.
El Cheikh destacou que o Hamas apresentou condições como um cessar-fogo permanente, a retirada total das tropas israelenses e a troca de prisioneiros, mas considera o cenário imprevisível. “Os Estados Unidos estão coagindo os palestinos a negociar o fim do genocídio sob condições absurdas”, afirmou.
Sobre o desarmamento do Hamas, ela considera possível do ponto de vista técnico, mas alerta que a resistência continuará. “Os palestinos continuariam sendo um povo sob ocupação. A necessidade de se libertar vai continuar viva”, avaliou.
Papel internacional
A coordenadora também vê com ceticismo as pressões internacionais sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. “É muito difícil acreditar que algum tipo de pressão externa vai afetar as ações do Estado de Israel”, disse, lembrando que o país “já quebrou incontáveis cessar-fogos sem consequências”.
El Cheikh defende que o fim do conflito depende de uma descolonização real, com direito ao retorno e à autodeterminação do povo palestino. “O que os palestinos desejam é uma libertação total, o fim das estruturas de ocupação e apartheid impostas por Israel em toda a Palestina histórica”, afirmou.
Ela lembrou ainda que o recente reconhecimento do Estado palestino por países europeus “não representa libertação porque o povo não tem uma representação legítima nem controle sobre seu próprio território”. Para Badra, “o reconhecimento formal de um Estado não devolve vida a um corpo que já não tem mais autonomia”.
Para ouvir e assistir
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